Surge uma Heroína

Caro Tácito, o texto abaixo é de um jornalista italiano que mora na cidade de Beluzo. Giulio já morou no Brasil por muito tempo. Hoje ele colabora com alguns sites nacionais, incluindo o “Observatório da Imprensa” comandado pelo veterano jornalista Alberto Dines. Giulio também chegou a participar do antigo site do jornalista local Alex Medeiros “Sanatório da Imprensa”.

Surge uma heroína!
(Por Giulio Sanmartini)

http://www.prosaepolitica.com.br/

Neda Soltani, uma jovem de 27 anos estudante de filosofia, como toda a mulher islâmica, usa a cabeça coberta, transgredindo somente no emprego da maquiagem. Nesse sábado dia 20, ela também saiu de casa em Teerã e foi para a praça solidarizar-se com aqueles que clamavam pela liberdade, uma anônima como a grande maioria dos manifestantes. Mal chegou foi atingida por um tiro disparado por um franco atirador postado no alto de edifício em frente, caiu no asfalto já ensangüentada, o projétil atingiu-lhe o coração, ainda um breve olhar para o céu, antes que a luz se em seus olhos se apagasse para sempre. Uma visão da cidade amada, de uma vida amarga, de um púdico amor por um rapaz com quem ia casar.

Duas pessoas tentaram reanimá-la, mas a hemorragia arrancou-lhe o último suspiro de vida. Um homem que está ao lado, talvez seu pai, em desespero começa a gritar: “Neda, não tenha medo, Neda não tenha medo, Neda,fica comigo, fica comigo”.

A voz de seu assassinato corre velozmente, de anônima passa a ser o símbolo do heroísmo dos que ousam enfrentar o odioso regime vigente. O clamor dos manifestantes muda, antes gritavam “Allah Akbar” (Deus é grande), agora passaram a clamar: ”morte ao ditador” (Mahmoud Ahmadinejad).

Neda, uma vez disse a seu noivo “que amava seu país e que se necessário morreria pela liberdade”. Assim aconteceu. Nós de todo o mundo que também amamos a liberdade, dolorosamente choramos por ela e a reverenciamos.

Go to TOP