sutra da destruição

[05e28. segunda-feira, 20 de junho. depois de outra noite indormida.]

se eu não cheirasse cocaína
certamente não explodiria este poema,
eu não passaria por (ou) ele (por mim).
mas não vamos entender isso aqui
como a glorificação por meio da curra,
que eu tô por fora de professores, pais,
policiais,
médicos e padres e pastores.

não, não serei a ovelhinha estuprada de ninguém!
não, não vim afirmar nada!

o pior de tudo isso, camaradas,
é que nisso, apesar uns dos outros,
nós estaremos sempre sozinhos,
mesmo apesar dos tentáculos.
sobre a solidão (e a cocaína):
“ela se engancha por cima de mim
quem sou eu?”

não, não vou creditar direitos!
não, não vou depositar favores!

eu digo não ao contrato!
nego todos os meus documentos.
tranquei meu alistamento militar,
queimei-o!
yeah, baby, vou me desmilitarizar
pra depois vir pra sua guerra,
pós-humano, uterino-mundano,
yeah, eu vou pular suas ratoeiras

não, não vou matar baratas!
nao, não vou perseguir meu radicais livres!

let’s dance! estou com bowie
entre os dedos mindinhos,
imagine o quão trágico-fálico
isso pode ser
quero dizer: perdoe-me os
performativos, não deixe que soem como ordens
este poema você só lê se quiser.

não, não me espere pro jantar!
não, por favor, não chore a perda das suas pertenças, (isso seria patético)

all my dear false friends,
I told you when I came
I was a stranger
“aos berros
sem eco
um estrangeiro vagueia”

não, nós não vamos levantar cenários
não, nós não vamos produzir consertos

eu digo não ao maniqueísmo
e não à dramatização,
me veja tecer a anti-trama do seu desgaste
observando só o seu teatro infantil.
vocês estão todos mancomunados
à revelia de vocês mesmos.

não, não vou voltar pra casa, mãe!
não, eu não pertenço a coisa alguma!

kerouac não leu
meus pés no asfalto metálico-depressivo do ônibus.
não se ouviu meu uivo.
não sou poeta, gaguejo.
não exijo que aceitem minha deserção, danem-se!
eu deserto.

não, não vou saltar teus edifícios!
não, Vamos rasgar o horizonte!

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