Tábua dos náufragos

A compreensão das coisas espanta a angústia de cada dúvida. A ciência, limitada pela capacidade temporal e técnica de cada descoberta, vai nos levando à informação de uma luz acesa no meio da escuridão. O trovão que assustava os nativos do Brasil era Tupã. Os navegadores já sabiam do choque elétrico entre as nuvens. O tupá deles era outro, de outros choques desconhecidos deles. Faltava explicar a redondeza da terra. E o movimento dos astros. A cada descoberta, um pássaro atingido em pleno voo cai nos pés de um deus abatido. Mas os negócios precisam de Deus. E sem a dúvida não há angústia e sem angústia não há negócio. O erro de Marx foi propor uma solução sem Deus. Deu de bandeja ao capitalismo o argumento de provar-se humilde ante a hierarquia do céu. “Eu lhe roubo, mas sou inferior a Deus. Eles prometem igualdade sem respeitar a superioridade divina”. Argumento que venceu facilmente uma luta desigual, entre a compreensão da ciência honesta e limitada contra a explicação fantástica do misticismo sem limites. Sem limites e sem escrúpulos para romper fronteiras na vastidão das angústias e da incompreensão.

Comments

There is 1 comment for this article
  1. Jairo lima 10 de Outubro de 2013 17:29

    Caba bom esse François.

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