Talvez Seattle

por Pablo Capistrano

Ninguém parecia acreditar que o Nirvana pudesse fazer aquilo. Um disco acústico, em um especial da MTV. Seria um desastre pra uma banda que havia feito emergir do subterrâneo a cultura alternativa, oriunda do punk, do metal de resistência, das experimentações dos grupos que tocavam nas rádios universitárias durante os sombrios anos 80; um som denso, sujo e pesado.

Mas quando eu ouvi o acústico do Nirvana confesso que fiquei atônito. Também não acreditava que, sem o escudo elétrico da guitarra, Kurt se sairia muito bem, afinal, três acordes, um refrão, peso e distorção marcavam o espírito punk com um carimbo inexpugnável. Ele não iria conseguir se libertar dessa marca e deixar o espírito da matriz folk falar por trás da densidade furiosa de sua própria base de formação estética.

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