Tarcísio José Barroca da Motta

VII – Personalidades da Cultura do Rio Grande do Norte

Tarcísio Motta nos deixou há pouco tempo e os seus rastros ainda são sentidos na sua cidade Natal. Um grande colecionador deixou um vasto acervo cinematográfico e artístico espalhado nos sebos de uma província que teima em não preservar sua memória perdida no pó das sombras encardidas e opacas por uma realidade que não se deixa ver.

É sempre assim: morre o guardião e o seu mundo é dissolvido por aqueles que não participaram daquele grande ritual que é formar uma coleção e preservá-la ao longo de toda uma vida.

A dor é maior quando esse colecionador também é um artista. Tarcísio Motta trabalhou com serigrafia e foi um grande desenhista publicitário. Era um exímio desenhista em bico-de-pena. Fez muitas ilustrações para obras científicas, apaixonado que era pelos dinossauros e Egito Antigo.
Colecionador inveterado e indisciplinado. Gastava mais do que podia como todo colecionador compulsivo. Comprava armas, capacetes do Exército alemão e foi um dos maiores colecionadores de cinema do Brasil. Correspondia-se com colecionadores no Brasil inteiro. Possuía uma enorme coleção de livros em vários idiomas relacionados com o cinema e as artes em geral. Com destaque para aqueles livros que ensinavam técnicas de como trabalhar as várias expressões das artes manuais, artesanais e eruditas. Cromos e cartazes faziam parte de seu acervo maravilhoso. Milhares de fitas VHS, revistas e outros objetos relacionados com a sétima arte. Um curioso eterno. Um maluco beleza.
Irreverente e de um humor caustico e corrosivo. Apelidava todos os amigos e conhecidos. Abimael era Abigail. Dom Inácio, ele chamava Dom Inácio de Boyola. Ninguém ficava imune aos seus chistes e blagues. Um fumante inveterado muitas vezes foi expulso da livraria por estar liberando a fumaça que espiralava feito seu eterno buscar e ensinar.
Faleceu com menos de setenta anos deixando um vazio imenso no coração da cidade. Saudades meu amigo. Dorme em Paz.

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