Teatro das bestas ancestrais

goya ilustração

Não confie na altura das suas orelhas

talvez haja algo entre elas e abaixo

que desbote a simetria das barbas.

 

Não creia que o seu queixo se distancia

do pescoço por onde vaza o sangue

e se derrama sobre o copo de vidro.

 

Não se permita o toque da noite

antes de concluir a tarefa posta

de ocultar os dentes na fêmea.

 

Saiba onde inaugurar os punhos

e as novas olheiras gravadas:

a cama ampla das vampiras.

 

Perceba que a voz atordoa

e somente use as tintas espalhadas

que sobraram sobre a mesa do café.

 

Beba, então, o quente caldo vermelho

e desfaça a gravata com bolor

da cena simulada entre as pernas.

Advogado público e escritor/poeta. Membro da Academia Norte-Rio-Grandense de Letras. [ Ver todos os artigos ]

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