O Telefonema (Conto)

Por José de Castro*

TRIMMMMMMMMMMMMMMMMM…

– Alô…

– É da casa de dona Eugênia?

– Sim, é ela.

– Ligação a cobrar, minha senhora. Posso completar?

– Quem é? De onde é?

Uma ligeira pausa.

– A pessoa diz que é do seu interesse, minha senhora… Vou completar.

– Mas…

Uma voz estranha, diferente, metálica do outro lado.

– Alô, sou eu…

– Eu quem? Quem está falando?

– Não reconhece a minha voz?

Tapa um dos ouvidos. Espicha o pescoço.

– A ligação está muito ruim…

– Sou eu, seu marido.–

Alguns estalidos e chiados na linha.

– Não estou ouvindo direito.

– Estou ligando para avisar que morri ontem.

– O quê? Quem morreu?

– Eu. Seu marido.

– Alô, alô, telefonista… Alô…

Mexe nas teclas, bate no telefone.

CLIC. Desligaram.

“Já não se dão mais trotes como antigamente… – pensou dona Eugênia enquanto colocava o telefone no gancho.

Voltou a folhear o jornal. Foi quando viu a notícia estampada em tipos bem negros, com uma foto dele que lhe parecia sorrir: exatamente como no dia do casamento.

 

*José de Castro, jornalista, escritor, poeta. Autor de livros infantis. Membro da SPVA/RN e da UBE/RN. Contato: josedecastro9@gmail.com

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Comentários

There is 1 comment for this article
  1. Cellina Muniz 12 de agosto de 2015 7:32

    Gostei. Faz minha cabeça um conto assim: curto, breve, sem lenga-lenga mas sugerindo mil e uma maneiras de interpretar.

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