Tem Caveira de Burro!

Vamos dar valor a quem trabalha
Vamos dar valor a quem dá murro
O burro é quem merece uma medalha
O burro é quem trabalha
0 burro é quem dá murro
…………………………..
(O Burro, Elino Julião)

Na sabedoria popular quando o povo diz “tem caveira de burro” num lugar
quer dizer que a coisa falhou , desmoronou, deu picica, etc. O povo tem
suas crendices e sabedoria. Em Coisas que o Povo Diz ( Bloch 1968), Câmara
Cascudo comenta esses ditos populares colhidos por ele “ em anos de
simpatia” .
Um dos animais mais injustiçados da hístória do mundo é o burro, para quem
o compositor Elino Julião reivindica uma justa medalha. A caveira do burro
recordará uma existência funcionalmente desgraçada, sem alegria e
compensações naturais ( Cascudo op cit. )

Em Natal, o povo diz que enterraram uma caveira. Uma, não, uma tropa. Uma
na Capitania das Artes, uma na Fundação José Augusto, outra na Prefeitura,
e muitas outras.
Sou daqueles que reconhecem o valor do burro. Animal símbolo do nordeste
de antigamente. Resistente. Alimenta-se de qualquer coisa. Animal sagrado,
transportou o menino Jesus.

Outro dia conversando com o amigo Moacy Cirne no Bar de Zé Reeira (ele
tomando água e eu Cerveja), ele lembrou de um costume que presenciei
muitas vezes andando pelos interiores do estado do Rio Grande do Norte.
Moacy, andando a passeio de Misto no trajeto entre Jardim do Seridó e
Caicó, observou as pessoas contando jumento numa aposta para saber de que
lado tinha mais jegue.

Esse costume era muito comum e presenciei muitas vezes no trajeto entre
Natal e Baixa Verde (João Câmara) onde eu ia fazer a feira do sábado.
Viajei muitas vezes em cima de caminhão -a trabalho – e as pessoas
disputavam para saber de que lado da estrada tinha mais jumento. Cachimbo
na boca e olho na estrada. Aquilo passava o tempo e cobrava atenção. Nesse
tempo o trajeto entre Taipú e Baixa Verde era de barro. A viagem era mais
demorada e comíamos muito barro.

Hoje em dia existem poucos jumentos nas estradas. Os burros foram trocados
pelos cavalos das motos. Só não esqueceram de enterrar as caveiras dos
bichos em Natal.

Foto de Marcelo Buainain em Era uma Vez…

 

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Comentários

There is 1 comment for this article
  1. edjane linhares 17 de dezembro de 2014 14:08

    Creio ser “duro” no lugar de “murro”. Abs e lembre de reservar uma tarde de janeiro para o nosso encontro.

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