Tempus fugit, carpe diem…

Por Ruben G. Nunes

A vida são redes (in)finitas de reticências… cada fase da vida humana tem sua intensidade própria e multidesejos a saciar… a falta (in)finita é nossa marca humana constitutiva. É o que nos move. Dentro de nossa biofinitude, temos a ânsia inalcançável da infinitude, através das idéias e avatares das religiões, transcendências, clonagens, encarnações, congelamentos, inconsciente, amores, etc.

Essa movência, essa pulsão de sempre sair-de-si buscando alguém, algum, buscando a si mesmo, buscando o ponto final dos desejos (o céu, o paraíso, a graça, etc) se depara com a incompletude, com as reticências… do tempo sempre fugindo, dos projetos sempre se renovando, dos processos sempre se reciclando.

Somos nômades de nossa liberdade. Ciganos de nós mesmos. Seja na esfera do pensar, do conhecer, do agir, ou do sentir, há sempre um inacabamento absurdo e sem sentido… uma falta da falta da falta, etc. Os pontos finais são só aparentes. Na verdade são momentos do aqui-agora, pontos das reticências.

A razão comum não dá conta dessa realidade inquieta, viva, absurda e sem sentido, que nos move e na qual nos movemos. Só a fé ou, então, uma razão em perene in fieri que encare o sentido-do-sem-sentido e o absurdo das reticências que nos movem…

Por isso, não só na velhice, mas talvez com mais intensidade na velhice, precisamos – não ficar comprando “terrenos na lua” – mas carpe diem aqui-e-agora…

“…A água não olha pra trás.
Foge, corre mais longe,
Onde olhos não a verão,
A água que vaga.”
Papusza (poetisa romi)

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