Tendências do jornalismo cultural

“A palavra mais pronunciada no debate Jornalismo cultural: quais as tendências da atualidade?, agora há pouco na Casa da Ópera, foi “ainda”. Embora João Gabriel de Lima, da revista Bravo!, e Sylvia Colombo, do caderno Ilustrada da Folha de S.Paulo, tenham apresentado argumentos interessantes contra a tese de que a mídia impressa tende a acabar, os dois jornalistas volta e meia se traíam: “O papel ainda é o melhor veículo para reportagens longas”, “A legibilidade do papel ainda é melhor que a da Internet” etc. Ou seja, aos poucos vai se disseminando, mesmo entre aqueles que resistem a ela, a impressão de que as novas formas de circulação das informações trazidas pelas novas tecnologias tendem a acabar com o papel.

Estamos vivendo um daqueles momentos em que, para os empresários do ramo, ficar parado é suicídio. Li ontem que algumas editoras nacionais de livros já estão programando disponibilizar seus títulos no Kindle, nos próximos meses. Aqui o grande risco é a esperteza brasileira encontrar rapidamente formas de piratear o conteúdo e disponibilizá-lo gratuitamente – o que pode inviabilizar economicamente o próprio negócio do livro. Mas não dá mais para fingir que os e-readers são uma moda passageira, ou que “não vão pegar”. A realidade está atropelando qualquer possibilidade de conservadorismo.

No caso dos jornais e revistas, argumentou-se na mesa de hoje, por exemplo, que a Internet roubou da mídia impressa os leitores interessados em serviço e em temas mais ligeiros, mas que por isso mesmo as revistas e jornais estão investindo em matérias mais profundas e extensas. Mas o fato é que nada impede que se publiquem matérias longas e bem apuradasa também na Internet, com recursos adicionais que as revistas não têm. De qualquer forma, a própria realização dessa mesa num evento dedicado á literatura já sinaliza que o debate só faz crescer.” Luciano Trigo

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