Tensos trópicos

Caros amigos:

O livro de Chistopher Dunn sobre o Tropicalismo tem o mérito de manter aceso o debate a respeito do tema. Muitos estudos brasileiros dedicados ao Tropicalismo surgiram e continuam a surgir. O destaque a um pesquisador estrangeiro pode dar a impressão de que o debate não existe entre nós.

Acompanhei o nascimento do Tropicalismo (1967/1968). É sempre bom lembrar que Caetano e Gil participaram da Feira Paulista de Opinião e que o Teatro Oficina tem um ponto de partida brechtiano – esquerdas. Além disso, no campo estritamente musical, não dá para esquecer os passeios por diferentes gêneros que Edu Lobo, Nara Leão, Elis Regina e Maria Bethânia já faziam, além do deslumbramento harmônico e melódico que Baden Powell produzia. Nara cantou Beatles e Roberto Carlos antes do Tropicalismo, Edu e Bethânia revisitaram o sambolero num nível muito avançado (“Pra dizer adeus”), Elis valorizou a performance na música popular pós-bossa nova. Baden revirou o diálogo com a tradição folclórica nos afro-sambas.

O disco “Panis et circensis” tem uma ferocidade crítica que seus próprios autores costumam silenciar – paródias melódicas do hino nacional, abertura e fechamento com sons que imitam disparos de canhões, dignidade operística no arranjo de um tema desvalorizado na época de Vicente Celestino.

Por outro lado, chega de saudade! Que tal investirmos no que está nascendo agora também? Faz tempo que o Tropicalismo virou referência clássica, o que é bom mas também não pode travar o debate sobre outros caminhos.

Abraços:

Nasci em Natal (1950). Vivo em São Paulo desde 1970. Estudei História e Artes Visuais. Escrevo sobre História (Imprensa, Artes Visuais, Cinema Literatura, Ensino). Traduzo poemas e letras de canções (do inglês e do francês). Publiquei lvros pelas editoras Brasiliense, Marco Zero, Papirus, Paz e Terra, Perspectiva, EDUFRN e EDUFRJ. Canto música popular. Nado e malho [ Ver todos os artigos ]

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