Terror… e melodrama

Alguém lá no Twitter, não lembro quem, num tom meio gaiato, taxou “Cisne Negro”, em cartaz nos cinemas da cidade, de filme de terror. Eu não levei a sério. Se tivesse levado não teria assistido porque detesto filme de terror, principalmente, se envolve mutilações físicas. Um melodrama de terror, eu acrescentaria ao tweet que li.

É o segundo filme que assisto e que concorre, em várias categorias, ao Oscar, que decepciona-me. O outro foi aquele que trata da fundação do Facebook, até esqueci do nome agora e não vou ao Google pesquisar para deixar explícita a desimportância que teve para mim.

Dois filmes medianos no contexto dos Oscars de anos menos medíocres. Friso que meu parâmetro aqui são os outros filmes que concorreram ao Oscar em anos passados. Não estou tecendo comparação com filmes que despontam nos festivais da Europa, como Cannes, Berlim, Veneza e Sundance. A distância entre uns e outros já era grande e parece que está se acentuando.

Curioso é que alguns jovens com quem conversei, estudantes universitários, em sua maioria, gostaram muito dos dois filmes que não me convenceram. Pode ser uma questão geracional. Novos tempos, novos olhares sobre tudo. Continuarei assistindo alguns lançamentos, tentando atualizar-me e dialogar com os mais jovens.

Não curto o discurso de que todas as coisas boas estão no passado (filmes, livros, autores etc). Espero não envelhecer como algumas pessoas, ranzinzas e intolerantes, que transformam um simples bate-papo num rosário de reclamações e pessimismo. TC

Comentários

Há 2 comentários para esta postagem
  1. João da Mata 10 de fevereiro de 2011 10:57

    Tácito, li na Piauí de fevereiro o artigo abaixo. Não sei se voce já postou

    “Cisne Negro” – lúgubre e impressionante
    Eduardo Escorel

    Que beleza! De manhã cedo, no ponto do ônibus, uma fotografia do rosto de Natalie Portman no cartaz de “Cisne Negro”.

    Contra corrente da recepção dada ao filme dirigido por Darren Aronofsky, sem falar do sucesso comercial, David Denby começa sua crítica sardônica, publicada na revista “The New Yorker” (6/12/2010), afirmando que “Cisne Negro” é “uma salada mista de beleza lúgubre”.

    Para explicar sua definição devastadora, diz que “Cisne Negro é uma “fantasia violenta que mistura as tensões provocadas pela montagem de uma nova produção do ‘Lago dos Cisnes’ com sexo, sangue e floreios de filme de horror.”

    Não sei o que David Denby tem contra “salada mista ( “farrago”, no original ). Mas, apreciadores do prato, como eu mesmo, podem ler a frase como um elogio e serem até atraídos pelo complemento – a “beleza lúgubre”.

    Para Denby, há enredos demais – quatro, segundo ele. O excesso, transformaria o sobrenatural freudiano em cena cômica (“shtick”, no original). Freud teria dito, segundo Denby, que “encontrar seu ‘doppelgänger’ na vida ou em sonho produz sensações sobrenaturais”.

    “Os elementos sinistros são sobrecarregados e sobredeterminados. Depois de um tempo, você percebe que o filme é um caso de falso formalismo encobrindo o caos. […] Aronofsky estetiza a insanidade e, ao mesmo tempo, faz truques de filmes que assustam. O filme frequentemente é ridículo, mas há sequências de beleza impressionante. […] ‘Cisne Negro’é vulgar e incoerente. Aronofsky, com todos seus dons, é um maestro pomposo, oportunista e inseguro como artista. […] Espectadores mais frios verão ‘Cisne Negro’ menos como um filme sobre ballet do que como um filme sobre a tortura de uma jovem mulher.[…]”

    Para concluir, Denby se sai com essa: “ ‘Cisne Negro’ é tão lindo quanto uma bandeja de ovos de Páscoa russos. Talvez alguém devesse quebrar um deles na caneca do Aronofsky e fazê-lo recuperar os sentidos.”

    Vale a pena ler na íntegra a crítica de David Denby. A linguagem abusiva é divertida, lembrando sempre do ditado segundo o qual “pimenta nos olhos dos outros não arde”. É um gênero de crítica autoritária que pretende decretar uma sentença sem que o condenado tenha direito de apelar para outra instância. E que não concede ao espectador o direito de decidir por ele mesmo.

    Na piauí_53, de fevereiro, comento o filme em termos mais amenos (clique aqui para ler).

    Mais

    Leia aqui a crítica de David Denby

    • Tácito Costa 10 de fevereiro de 2011 11:00

      João, dei o link para este texto do Escorel na semana passada. Os críticos dividiram-se sobre Cisne Negro.

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