15 perguntas para Alex de Souza

1-Quais foram suas primeiras leituras?
Bom, se eu quisesse te sacanear, poderia dizer que foi um livro chamado Gnomos, que ganhei lá pelos sete, oito anos, quando conheci meu pai. Ou ainda uma coleção dos Contos de Grimm, traduzidos pela Maria Clara Machado, porque foram realmente leituras cativantes que marcaram minha infância, junto com as HQs do Asterix, de Walt Disney e Turma da Mônica, ou o Recruta Zero. Mas seria uma resposta escrotinha. Se considerarmos ‘leitura’ um termo mais complexo, ou seja, livros que chamaram minha atenção para os mistérios e meandros da literatura, para a urdidura do texto, aí eu teria que te dizer que leitura, mesmo, só fiz lá pras bandas dos 13 anos. A primeira vez em que percebi a literatura como algo muito doido foi ao ler ‘O Trono no Morro’, de José J. Veiga. Na sequência, acho que dois outros livros foram basilares: “Histórias Extraordinárias”, de Edgar Allan Poe, e ‘O Livro de Areia’, de Jorge Luis Borges.

Alex de Souza, ainda foca, entrevista mestre Salu. Foto: Rodrigo Sena
Alex de Souza, ainda foca, entrevista mestre Salu. Foto: Rodrigo Sena

2-Quando você percebeu que queria ser jornalista?
Não sobraram muitas opções, afinal eu já sabia que seria um fudido, então só restava tentar me divertir. Quase todos meus amigos vagabundos que frequentavam nossa casa, certamente inspirados pela figura de papai e sua trupe, findaram fazendo jornalismo. Só Joab que deu certo na vida e virou carteiro.

3-Que leitura é imprescindível no seu dia-a-dia?
Qualquer uma que me tire de onde estou.

4-Se pudesse recomendar um livro aos leitores, qual seria?
Só um? A Bíblia. O maior pega-besta que já inventaram.

5-O que lhe dá mais prazer no processo de escrita?
Só há um prazer quando se está escrevendo: terminar.

6-Um livro inesquecível?
Vários, mas o primeiro que me vem à mente é Moby Dick. Vira e mexe me pego relendo-o, mas ainda não consegui decorá-lo. Acho que foram as drogas.

7-Você atualmente mora em João Pessoa. Sente saudades de Natal?
Não. Sinto saudades das pessoas que moram em Natal. É impossível desejar voltar a uma cidade que passou pelas mãos de Micarla de Sousa e que teve Ponta Negra destruída por Carlos Eduardo.

8-Qual escritor, do passado ou do presente, você gostaria de convidar para um café?
Nenhum, café me faz mal. Tenho taquicardia e queda de pressão quando bebo esse troço. Desconfio que boa parte dos escritores seria péssima companhia para qualquer bebida que não lombre.

alex9-Existe jornalismo cultural no Rio Grande do Norte?
Existe em quase todo canto. Agora, se presta, é outra história.

10-Qual a sua maior preocupação ao escrever?
Ultimamente é publicar, porque, se não fizer isso, ficarei reescrevendo por toda a eternidade.

11-Se um ET surgisse na sua frente e solicitasse “ Alex, leve-me ao seu líder”, a quem você o levaria?
Eu o guiaria a Henrique Alves, na esperança de que o ET o levasse para estudos invasivos sem lubrificantes.

12-Carlos Fialho é o Alex Nascimento da nova geração?
Certamente. E eis aí a prova de quão fuleira é esta nova geração.

13-E a galera do Substantivo Plural, é legal?
Há controvérsias se esse seria o termo mais adequado para qualificar aquele pessoal. No geral, são todos uns malucos bem gente fina, se você não alimentá-los de perto.

14-Fale-nos um pouco do seu livro sobre Moacy Cirne.
Moacy foi um amigo que mudou minha vida. Depois de conhecê-lo, resolvi que poderia fazer a mesma coisa que ele: estudar quadrinhos como uma opção de vida, ou “carreira”, como gostam de dizer. Demorou quase uma década, mas deu certo. Por isso, quando ele morreu, percebi que a melhor maneira de homenageá-lo seria resgatando sua contribuição pioneira para os estudos sobre HQs. Este livro não existiria sem a figura de Abimael Silva, do Sebo Vermelho, outro grande amigo de Moacy, que bancou a primeira edição sem pestanejar. No livro, busco comentar, para um leitor iniciante, as principais obras de Moacy sobre o tema, como se fosse uma introdução ao seu pensamento. Obtive um retorno muito positivo da obra, principalmente entre os estudiosos de quadrinhos, por quem Moacy sempre foi muito querido. Espero ter alcançado esse objetivo.

15- Quem é o escritor Alex de Souza?
Depende, se você estiver lendo meus contos, minhas reportagens ou meus ensaios acadêmicos; se a gente se conhece há uma semana, ou há uma década; se eu estou sóbrio, ou de bermudas; se você consegue ser mais chato do que eu; e, principalmente, depende do que você me pergunta.

FOTO DE CAPA: Everton Dantas

Escritor, pesquisador da literatura potiguar e um amante dos livros. Editor da revista da Academia Norte-riograndense de Letras. [ View all posts ]

Comentários

There are 3 comments for this article
  1. Yuri Hícaro 25 de Abril de 2016 17:28

    Entre escárnio e ironia vai fazendo literatura em suas entrevistas, ficções e verdades sobre as ficções. Grande Alex de Souza

  2. Anchieta Rolim 25 de Abril de 2016 19:08

    Mininu danado esse Alex! rs,rs…

  3. Tânia Costa 27 de Abril de 2016 13:55

    Humor é essencial. Ironia fina …!

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