Thomé Filgueira e a exposição “Entre Usinas e Rios”

Thomé Filgueira terá quadros expostos na galeria de arte do Complexo Iguales, no Tirol, a partir da 19h da próxima quarta-feira (03).

São 18 telas divididas em um recorte temporal: anos 1970, 1980 e 1990. Cada década, um jeito diferente de viver a arte.

A exposição Entre Usinas e Rios: Thomé Filgueira em três décadas fica aberta no mesmo horário de funcionamento de todo o equipamento, de segunda a sábado (Veja Serviço). 

Na outra ala da Galeria, acontece simultaneamente a exposição “Panóplia de Natal” do também potiguar Jayr Peny.

São notórias as mudanças nas pinceladas, nas técnicas e tons usados por Thomé, que teve refletidas nas telas as diferentes fases de sua vida.

Das descobertas da paternidade à sobriedade da segurança artística, passando pelos conflitos do divórcio do primeiro casamento.

Tudo isso foi registrado ainda que implicitamente nas paisagens naturais bucólicas, nos engenhos, nas igrejas e no cais do porto de Natal.  

“Thomé tinha uma relação muito íntima e complexa com a arte. Nossa proposta é fazer com que as pessoas entendam o que existia por trás daquelas pinceladas, feitas com mais ou menos contrastes em cada uma de suas fases”, explicou o curador da exposição, o jornalista e empresário Cristiano Félix. 

Morto em 2008, Thomé Filgueira é da segunda geração de modernistas potiguares, como Newton Navarro e Dorian Gray; Fotografia: Iano Andrade.

Modernista potiguar

Membro da segunda geração dos modernistas potiguares, ao lado de Newton Navarro e Dorian Gray, Thomé conseguiu criar uma linguagem própria dentro das artes visuais do estado.

Por ter morado nos Estados Unidos, no final dos anos de 1950, criou intimidade com a arte americana, sobretudo com o realismo e o expressionismo abstrato.

Mas sua referência maior foi o impressionismo francês, o qual levou a outra dimensão, adaptando-o às paisagens locais.

Thomé Filgueira começou a ganhar destaque como artista ainda no final dos anos 1950, quando foi premiado pela Aliança Francesa.

Dali em diante, manteve uma relação firme com a arte, até retirar a própria vida, em 2008.

Ele participou de dezenas de exposições. Os primeiros registros são em Natal já em 1957. 

Entre várias mostras, destacam-se na Califórnia, em 1964; em São Paulo, em 1974, na Bienal Internacional de Arte, considerada a maior exposição do Hemisfério Sul; em 1987, na Academia Brasileira de Letras, no Rio Janeiro; e em 1991, numa homenagem a Zila Mamede, em Natal.

Thomé Filgueira – Linha do Tempo

Anos 1970

Nos anos 70, Thomé embriagou-se com a experiência da paternidade. Os três filhos do primeiro casamento nasceram nos anos 1966, 1972 e 1974. Em sua maioria, as telas dessa época são mais fluidas, as pinceladas são longas e há uma suavidade entre as mudanças de tons, principalmente verdes e terrosos.

Anos 1980

A inquietude emocional do final do primeiro casamento e início do segundo está fortemente marcada na obra de Thomé nos anos 80, com a explosão de luz e sombras marcantes do movimento impressionista, o qual influenciou toda a obra do artista. Nada na paisagem está em paz; falta harmonia e sobra vivacidade.

Anos 1990

Os anos 90 mostram um Thomé consolidado com sua obra, em paz com sua produção e arriscando-se como nunca. O domínio sobre o desafio de fazer uma boa tela é evidente. As telas são felizes.  Há uma alegria jovial, principalmente nas pinturas que mostram as ioles com seus remadores.

Entre Usinas e Rios: Thomé Filgueira em três décadas

Vernissage: 03/04 às 18h

Aberta na segunda, das 10 às 19, e de terça a sábado, das 10h à meia-noite

Complexo Iguales, Av. Hermes da Fonseca -1062

@complexoiguales

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