to remind me who you are

Iwska Isadora,
Ela entrou na sala e desajeitadamente procurou um lugar que aceitasse os seus critérios naquele instante, mas o ar lá dentro não acalmou sua respiração.
Talvez porque o espaço entre as quatro paredes não fosse suficiente pra caber tantos pensamentos ou talvez porque ela tinha um certo “vácuo do coração que passa como um estranho por entre os prazeres que o cercam“, como diria o amigo Alencar.
Na parede, o projetor mostrava um documentário a respeito de luz em cenas; técnicas de fotografias e muitos detalhes sobre iluminação. O escuro na sala era preciso para melhor captação das imagens (de quem assistia). Mas fugindo do conceito técnico, corrí pro sentido figurativo daquela aula, e alí eu não queria mais fazer parte, porque eu não via nada e meus olhos careciam outro tipo de luz.
Em silêncio, alguns passos longos e apressados até o estacionamento. Carros, buzinas, semáforos e mais coisas do tipo separavam o meu “eu” de “onde quero estar”.
– minutos passam –
Sozinha, em silêncio, de dentro do carro, observei aquele lugar que hà anos me acolhe feito uma mãe quando acaba de ver a queda da filha na calçada. Respiração forte e cobertor na alma, passei a noite entre Anjos que abraçam e não prendem; que sorriem e nada cobram. Uns eu enxergava com os olhos da matéria, outros apenas com o coração, porque a carne já não importava. Não era mais o peso de uma energia, mas o transportar de uma vibração para seu estado mais l e v e.
Entre preces e confortantes palavras acredito mais ainda que está sim, em nossas mãos, a cura que necessitamos. É o não acomodar o que lhe incomoda e sorrir para o que liberta e não para um punhal em disfarces. E assim, devagarzinho, em meio à aulas de iluminação, semáforos e pessoas – nunca intransponíveis – aprendo que meu maior comprometimento é com Deus e a paz dentro de sí mesmo é o tesouro mais reluzente que alguém pode ter.
O coração é o “onde quero estar” mais puro que senti até hoje.

Comentários

Há 2 comentários para esta postagem
  1. Anchieta Rolim 4 de setembro de 2011 10:37

    Dois momentos poéticos de tirar o fôlego:
    * Saudade é arrumar o quarto do filho que já morreu.(Chico Buarque)
    * Me acolhe feito uma mãe que vê a queda da filha na calçada.(Onery Junior)
    Parabéns Onery!

  2. Anchieta Rolim 3 de setembro de 2011 19:48

    Eu já disse 3 vezes por sinal, mais o problema é que não aparece o comentário abaixo do texto.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

ao topo