O Tomo de Ormuz

Por Roberto Cardoso

A geografia desenhada e exercida hoje, torna-se história amanhã. E a geografia que modifica e modela os espaços, cria novas histórias. O homem é o ator neste palco geográfico, onde os lugares e cada espaço alterado, é um novo cenário, descortinado para o homem exercer uma história ao longo da linha do tempo. A responsabilidade de registrar esta história, torna-se uma responsabilidade de algumas instituições que se formam e tornam-se capazes para isto. Especializam-se em geografia e história como o IHGRN – Instituto Histórico e Geográfico do Rio Grande do Norte. Descreve e escreve um espaço, em uma das federações brasileiras.

Uma geografia foi realizada na noite de uma terça-feira (29/03/16), pelas ruas de Natal. A movimentação de grupos de pessoas, começando pela região metropolitana, e outros lugares não pesquisados. Pessoas chegaram pelas linhas da Rosa dos Ventos, em direção ao centro. Pessoas partiram de lugares diversos com conduções diversas e diferenciadas com destino ao ponto zero da cidade, o local da fundação da cidade. Chegaram em prédios próximos ao marco zero, para ocupar posições diversas em situações diversas, em um mesmo local. Pessoas saíram de seus trabalhos, de suas residências e de suas cidades, para uma atividade comum a todos, com diversos personagens ocupando papeis diferentes, de um teatro social no decorrer de um cerimonial. O cerimonial de ocupação de cargo de uma nova diretoria do IHGRN. O cerimonial receptivo de chegada de novos sócios; e o lançamento da revista Nº XCII – Ano 2016 do IHGRN. Composta de artigos e crônicas, com incentivo da Lei Câmara Cascudo.

Ormuz Barbalho que fez parte do Tomo histórico anterior, liderado por Valério Mesquita, inicia agora um Tomo próprio junto com seus capítulos, ocupando similares secretarias. Um novo Tomo, na história do RN. E diante de uma galeria de ex-presidentes ainda vivos e presentes: Valério Mesquita e Jurandir Navarro, com respectivos Tomos anteriores. A citação dos primeiros Tomos, como fatos históricos registrados, como sempre foram lembradas, começando lá nos idos de 1902, quando surgiu o primeiro dos Tomos, geográficos e históricos do IHGRN, quando se instalava no Brasil a Republica. Dos primeiros e dos antigos sócios, muitos estão lembrados nos logradouros públicos e instituições espalhadas pela cidade de Natal/RN. E a lembrança do ex-presidente Enélio Petrovich que por quase meio século passou ocupando a pasta principal, também foi citado.

O instituto (IHGRN) cria, pesquisa e analisa uma geografia diária, para através de seus sócios e colaboradores escrever, descrever, anotar e arquivar a história, para que não se perca na oralidade e na memória. Fotografias reforçam e confirmam os fatos, mostram pessoas presentes, ainda que possam precisar de uma legenda descritiva, para quem não conhece o espaço e os personagens na imagem fotográfica. Ormuz Barbalho Simonetti chega e continua, para dar uma continuidade do IHGRN, na era da tecnologia, com arquivos copiados e escaneados, copilados e arquivados em solo; e outros arquivos em nuvens, junto com os primeiros sócios.

Cada personagem, cada ator, cada escritor e cada historiador, um papel na história potiguar. Como os ex-presidentes já citados, como participantes de uma nova equipe eleita e empossada. Como os novos sócios, citados nominalmente.  Como a personagem doadora de um imóvel, Angélica Timbó, aliviando o espaço restrito e a necessidade urgente de obras, no prédio antigo, também foi citada. E mais outros personagens diversos. Cada um exercendo um papel naquele espaço. Representando a si, representando uma instituição (ANL, INRG, UBE e outras), ou ali presente para prestar uma homenagem a outros atores, pertencentes a sociedade intelectual natalense, e participantes no grupo representativo da instituição cultural mais antiga do RN. O IHGRN, a casa da memória potiguar.

Com história, geografia e meteorologia aconteceram os eventos em conjunto, convergindo para um mesmo ponto, acomodados em um mesmo espaço. A história e a geografia estão sempre sujeitas a participação do homem e das intempéries. Com variação da temperatura, com chuvas fracas ou intensas, esparsas ou intermitentes. Natal a cidade Noiva do Sol, prima dos ventos e das chuvas. Para o evento convergiram tudo e todos.

Finalizando a posse de Ormuz Barbalho Simonetti (OBS), cabe uma observação uma Obs: O Sol impossibilitado de comparecer, naquela hora noturna, já que tinha compromissos inadiáveis do outro lado do mundo, mandou a chuva para lhe representar. Aguardemos agora os tempos de sol e de bonança.

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