Toscas anotações do exílio – I

Quebrar o silêncio? Os sentidos? Os cristais? Talvez, ainda não. De qualquer sorte, nada fácil é ficar calado quando se tem tanto a falar. E ouvir, já ouvi tudo. E mais. E dizer? A gente termina dizendo outras coisas, meio neutras, falácias. Sofismas. Atalhos. Esconderijos. Mas, sei, nunca fui neutro. Nutro. Vou remoendo, ruminando, pensando, estudando casos e casas. Depois, atitudes. Vou matutando, falando comigo mesmo. Após, pancada nos caras, nas caras dos caretas, ainda mesmo que seja no ar, feito a comemoração de Pelé. De um lado ou de outro. Sai da frente! Meu time é o centro do campo. Ou o escanteio. Depois, tempo de delicadeza. Que não há nesta terra do sol e do nada. Não é o meu país. Nem tempo meu é. Tempo de estio. Tempo de silêncio. Silêncio? Nem tanto. Olha lá o paredão. Sabe-se muito sobre pessoas e coisas…Mas, não é a hora de falar sobre isto, aquilo, aquele, aquela. Nem agir. Ou é? Ué! As responsabilidades são muitas. As prioridades, algumas. E aí, a gente parece, às vezes, que é covarde. Covarde? Talvez até já se tenha falado demais e, por isso mesmo, o silêncio parece ser a melhor arma. Alma? Lama? Por sinal, renuncio a toda lama! A toda. A toa, resto. Restos. Rostos. De Líricos e de loucos. De poucos e de porcos. Gente que conheço e desconheço. Máscaras. Desfiles. Desfiladeiros. Nada quero mais disso, nem acerca disso, nem aquela que… Nem daqueloutra. Melhor que seu marido a procure. Cuide dela, seja lá como for. E não me chame mais para a porra de lançamentos, nem de foguetes. Barreira do inferno. No inverno, ora, no inverno? No in-ver-no? Eu fico é calado, caladinho, nadando nas nuvens do inverno interior. No verão, também, que é todo o tempo deste sol de 365 dias. Deverão. Não quero saber desse povinho, polvinho, nanismo, nonadismo, liliputianos, putanos, putos. Nem deles e nem da gente dita grande. Ora, grande? Glande. Grânulos. Granulomas. Sabes daquela fulaninha? Nem eu. Somente quero o meu lugar, mesmo que “solito”, como dizem os gaúchos. Ou seriam os catarinenses, catarinetas? Nataletas? Ora, Nataletas?! Quero minha ilha, minha filha. Meu filho, meu velho. Valho quanto peso. Piso. Pouso. Impressões digitais. Inclinações musicais. Impacto 5, Take Five. Senha? Babal para isso! Mosca na sopa. Sapo boi é rei e eu sou só. Um súdito só. Vou-me embora e fico aqui. O real é pegajoso. Viscosidades. Vícios. Vinhos. Vizinhos. Porra! A cidade é verde? A casa é verde. Machado. Machadadas. O alienista vem ali, junto com os humanoides de Marcellus.

Livro-me. Livros-me. Lívio-me. Larvas. Moscas. Música. Silêncios. Música. Silêncios. Música. Silêncios…

Advogado público e escritor/poeta. Membro da Academia Norte-Rio-Grandense de Letras. [ Ver todos os artigos ]

Comentários

Há 2 comentários para esta postagem

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

ao topo