Trabalho abnegado da Fundação Rampa chega ao fim

A Fundação Rampa sucumbiu ao descaso. Surgiu e se manteve com a melhor das intenções. E acabou aos poucos, minguando até sumir sem sequer uma despedida, um anúncio oficial ou algo que valorizasse o trabalho abnegado de seus membros durante tantos anos. Esse histórico sempre esteve relacionado à preservação da memória de Natal na Segunda Grande Guerra e, fundamentalmente, ao prédio da Rampa e à história da aviação.

A Fundação Rampa surgiu em 2001 formada por oficiais da reserva da FAB e com missão de recuperar o prédio de Santos Reis. Tal edificação remonta à presença dos alemães e franceses no Rio Potengi, teve seu auge com os americanos responsáveis pela construção do prédio de arcos para ser uma estação de passageiros da Pan Am, e que durante a Segunda Guerra Mundial serviu como base de hidroaviões da U.S. Navy. Após a guerra, o prédio serviu como clube dos oficiais da FAB e restaurante de nome “Rampa”.

Em 2003, com auxílio de empresas parceiras, a Fundação conseguiu recursos para fazer uma reforma no prédio principal. Porém, não conseguiu manter o museu ali montado, fechando no mesmo ano.

Uma nova diretoria assumiu em 2008, desta vez composta por membros civis. Com apenas cinco diretorias (presidente, secretário, tesoureiro, pesquisa e marketing) e um quadro de colaboradores, a Fundação retomou a atividade com outra missão: além de recuperar o prédio, disseminar o conhecimento na população sobre a importância de Natal para a aviação no século 20.

Com este objetivo, o grupo deu início à coleta de entrevistas e relatos orais de testemunhas dos feitos da aviação, em especial da Segunda Guerra, em solo potiguar. No primeiro ano de atividade, a Fundação lançou o livro ‘Os Cavaleiros do Céu: A saga de Ferrarin e Del Prete’, que conta a história de um voo histórico entre Roma e Natal sem escalas, cujo resultado foi o envio da Coluna Capitolina à cidade. Pós lançamento do livro foram realizadas palestras em instituições de ensino superior e médio.

Em 2010 teve início a produção do filme documentário ‘Natal Encruzilhada do Mundo’ [disponível para download na internet gratuitamente], concluído em 2011. O filme foi feito por meio da Lei Câmara Cascudo de Incentivo à Cultura.

Em paralelo, entre 2008 e 2012, todas as datas importantes e sem apoio de instituições privadas, os membros da Fundação promoviam atos simbólicos. Iniciando no dia 13 de janeiro com o primeiro afundamento de submarino alemão no Atlântico Sul [aeronave partiu de Natal], 12 de maio dia da morte de Augusto Severo, e 5 de julho data do voo de Ferrarin e Del Prete. Um dos eventos de maior repercussão foi a encenação da Conferência do Potengi, quando era retratado o histórico encontro entre os presidentes Getúlio Vargas e Franklin Delano Roosevelt, ocorrido na Rampa, em 28 de janeiro de 1943.

RESISTÊNCIA E FIM
A Fundação Rampa sempre se manteve sem auxílio de verbas públicas. Quando surgia um projeto ou iniciativa, seus membros buscavam amigos e colaboradores para viabilizar a ideia. Era uma entidade privada, mas basicamente sem recursos.

E se sempre se manteve assim, por que acabou? O estatuto da Fundação Rampa precisava ser renovado a cada biênio. Em 2012, o estatuto se venceu e não houve interesse em renovar. Na realidade o cansaço abateu o grupo, sem condições de manter as ações, por mais simples que fossem. Tudo resultava em gastos e tempo e cada membro possui ocupações profissionais distintas, as quais foram se dedicar.

Uma carga de ânimo surgiu com a notícia da restauração do prédio da Rampa. No entanto, a Fundação ficou fora do processo e sem perspectiva de que um dia poderiam administrar o museu. Havia a expectativa de se firmar convênio com o Estado. A Fundação cederia parte de seu acervo particular para exposição, mas nada se concretizou em três anos.

O jornalista Leonardo Dantas chegou a assumir interinamente a presidência da Fundação, em 2013, com a intenção de manter o trabalho. Contudo, questões burocráticas impediram sua permanência. As atividades da Fundação estão totalmente suspensas, ficando as lembranças e o trabalho individual de cada membro, ainda amantes da história de nossa aviação e da importância da história do Estado na Segunda Guerra.

Comments

There are 7 comments for this article
  1. carlos 13 de Novembro de 2014 20:54

    Turismo no r.n-é bandeira de campanha , mas náo é programa de governo.
    de quatro em quatro anos alguém fala:
    Se eu for eleito-blá-blá-blá-blá-

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