Trago a liberdade, de Michelle Ferret

Trago a liberdade
Amarrada nas mãos
Como finos cigarros
De festas dos anos 70
Trago
A liberdade
Enlaçada nos cabelos
Cabeça de fósforo
À espera de combustão
Trago
A liberdade
Cortada no peito
Como uma faca abrindo a manhã
De ontem
Já cinza
Trago
A liberdade esquecida
Nos pés
Descalços
Em estrada de pedrinhas
Aquelas que doem a alma
Trago
E expiro
Num alvorecer de noite
Mal dormida
E respiro uma fumaça onde se lê:
Ninguém desce desse mundo.

Ilustração: Riccardo Guasco

Comentários

Seja o primeiro a comentar

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

6 − seis =

ao topo