Três perguntas para Adélia Prado

NO ESTADO DE MINAS

Poesia deve ser lida em voz alta ou em silêncio?

As duas coisas. Adoro ler poesia para um grupo que está realmente atento. Outro dia, me pediram para ler em praça pública. De jeito nenhum, porque tem pipoqueiro passando, carro buzinando… Fiz essa experiência uma vez e detestei. Praça é lugar de show de pop star. Ler poesia tem que ser em pequenas capelas, auditórios. Você tem que ouvir de fato, porque é na audição que a emoção chega para o outro. Agora, é uma delícia pegar um livro no silêncio.

Como a senhora faz para lidar com a passagem do tempo?

Do ponto de vista biológico, não tem conversa. Você percebe seus limites naturais e também as doenças que querem aparecer. Vê um retrato seu e pensa: ‘Nossa Senhora! Não pode ir para a carteira de identidade.’ Aí, passam 10 anos e você vê que estava ótima e não tinha percebido. Tirar foto é um exercício de humildade pois ficar velho é difícil, e a juventude é um valor vital. Jovem, a gente quer tudo. Velho, você tem que elaborar uma realidade nova, pois velho dando birra é o espetáculo mais triste que tem. Mas dá para ser feliz velho, flácido, enrugado, com um ‘diabetizinho’. É um aprendizado e você tem que aceitar a mudança. E ser velha não me impediu de ir nas passeatas. Estava em São Paulo, peguei minha filha, netos, e fomos. Pode me chamar para a rua porque vou de porta-bandeira.

A senhora é frequentadora de museus?

Não, sou frequentadora de livros e de pintura. Não temos museu de pintura, o nosso é o que registra a memória da cidade, já estive lá, sei do que se trata. Sobre os museus de arte, visitei alguns quando saí a primeira vez do Brasil. Em São Paulo, fui a outros. Aqui, visito volumes de pintores. Van Gogh acaba comigo.

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