Triste Brasil capadócio

Por Marcos Cavalcanti
marcospoesia@ig.com.br

É uma pena que em pleno século XXI, bem depois de Voltaire, Darwin, Nietzsche, Freud e outros grandes pensadores, ainda se possa cogitar que exista um reino dos céus. É como acreditar que no monte Olimpo Zeus preside um panteão de deuses que influem diretamente sobre a raça humana. Santa Ingenuidade!

Mas o mais lamentável é que tem gente que ainda pensa que discutir a existência ou inexistência de deus é uma tolice, questão de foro íntimo. Marx não pensava assim, pois bem sabia a força que o ópio do povo tem em qualquer regime político, em qualquer modelo econômico. Os exemplos escabrosos estão disseminados em todas as épocas e eu não preciso relembrá-los.

No Brasil e em muitos outros países, se um candidato professar-se ateu, o que acontece: perde a eleição, e aí não importa biografia, propostas, inteligência, competência e os cambau, se for ateu, ferrou-se. É muito triste tudo isso! Agora, o que me surpreende, é que tem gente que ainda não percebeu que com o Congresso Nacional cheio de deputados evangélicos fazendo seu proselitismo, com os inúmeros canais religiosos pregando insistentemente, 24 horas por dia, os seus dogmatismos, que tais assuntos: “aborto”, “casamento gay”, “se o candidato faz ou não o sinal da cruz”, “se se ajoelha ou não perante a estátua da padroeira do Brasil”, não viessem a tona de modo absolutamente irresponsável, ou seja, não como temas republicanos, mas como mera anti-propaganda política, terrorismo, para ser mais claro. Meus caros pluralistas, anotem aí, isso só tende a se agravar daí para frente. Triste Brasil Capadócio!

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