TROFÉU CULTURA: “Entre mortos e feridos, todos nos salvamos”

“Entre mortos e feridos, nos salvamos todos”. Escutei essa frase por duas vezes após encerrada a cerimônia do Troféu Cultura 2015. Achei bem simbólica. Interpretei como algo do tipo: “Apesar da desorganização, as premiações foram entregues, os artistas foram homenageados e a intenção falou mais alto”.

Sim, a intenção. Lembra aquela frase da sua mãe? “O que vale é a intenção, meu filho”. Encaremos esta edição do Troféu assim: uma solenidade de boas intenções. Valeu a premiação. Valeu a lembrança aos premiados. Valeu a festa, a confraternização. E valeu a continuidade do prêmio, apesar dos pesares.

Há uns três ou quatro anos publiquei no meu antigo blog algo como: “Apesar de precisar de muitos ajustes, o Troféu Cultura merece respeito”. Nem conhecia Toinho Silveira. E repito a mesma frase hoje. Isso após participar de sua organização e ver tudo de perto. Só acrescentaria que precisa MUITOS ajustes, mas merece muito meu respeito.

Precisa pontualidade. Precisa dinamicidade. Precisa menos prêmios institucionais. Precisa urgente de direção de arte e de palco. Precisa dar voz aos ganhadores (de certo vão agradecer ao Troféu, à organização e isso valoriza o evento). Precisa de roteiro planejado, ensaiado e respeitado. Precisa de gente ligada à cultura na apresentação para evitar gafes.

Precisa e precisa… Mas não se deve agora descascar um fruto ainda verde, apesar dos 12 anos de estrada. É uma fruta para se saborear mais tarde, porque é uma ótima fruta. Mas carece amadurecimento para ficar “no grau”. Acredito no potencial do prêmio, na boa intenção de Toinho e em melhorias significativas já para 2016.

Se esse ano – e nos anos anteriores – foi tudo apressado e no improviso, o evento do próximo ano já está sendo planejado desde agora, com inserção nas leis de cultura e na busca por captação. Com recursos (ao contrário do que pensam, n sobra quase nada!) e, principalmente, PLANEJAMENTO, o Troféu Cultura se revigora. Tem potencial e tem a tal boa intenção, que fundamentalmente é prestigiar a cultura do Estado. É o que precisamos. Afora o Hangar de Música não há mais nada!

E nesse propósito o prêmio foi muito bem obrigado. Acredito ter colaborado com sugestão de novo sistema de votação ao qual gente especializada em cada setor escolheu os indicados e por votação única. E nisso muita gente bacana foi indicada; uma galera que, apesar de querida, precisava ser reconhecida, mostrada a empresários e prestigiada junto aos seus familiares, amigos e artistas.

O produtor Geraldo Gondim; o artista visual Gustavo Rocha; a Moniky Rodrigues e Dhara Ferraz, do audiovisual; a poetisa seridoense Maria Maria; o Tropa Trupe que saiu como grande vencedor. Muita gente boa, além dos indicados! Gente nova como a Jackie Monteiro (artes visuais), a Lysia Condé (cantora), a Carla Belke (fotografia), Helio Ronyvon (audiovisual)… Muitos!

Acho um barato ver essa galera sendo premiada. Valéria Oliveira, por exemplo, é artista consagrada, foi lá prestigiar naquela sua simpatia e elegância de sempre, mas confesso minha torcida pela Carmem Pradella, que precisa ser mais valorizada pelo imenso talento e pelo trabalho junto ao violão virtuoso de Levi Ribeiro, que não parou de receber elogios dos experientes Giancarlo e Moisés de Lima.

O Troféu Cultura proporciona esses momentos. E espero descascar essa fruta próximo ano. Se ainda me parecer verde, como neste ano, entrego a quem curta a pressa sempre inimiga da perfeição. Gosto do sabor real da fruta. E quando tá boa, como se diz, eu chupo até o caroço.

RELAÇÃO DOS GANHADORES DO TROFÉU CULTURA

MELHOR CIA. DE DANÇA
Gira Dança

MELHOR FOTÓGRAFO
Alex Gurgel

MELHOR PRODUTOR CULTURAL
Geraldo Gondim (Eco Praça)

DESTAQUE NAS ARTES VISUAIS
Gustavo Rocha

DESTAQUE NA LITERATURA
Maria Maria (livro de poesia Proposta de Chuva)

DESTAQUE NO AUDIOVISUAL
Moniky Rodrigues e Dhara Ferraz

MELHOR PEÇA DE TEATRO
A Lenda do Trapezista Cego (Tropa Trupe)

MELHOR ATRIZ
Titina Medeiros (Clowns de Shakespeare)

MELHOR ATOR
Rodrigo Bruggemann (Tropa Trupe0

MELHOR SHOW
Orquestra Sinfônica do RN (Ópera Carmina Burana, no Teatro Riachuelo)

MELHOR BANDA
Plutão Já Foi Planeta

MELHOR CANTORA
Valéria Oliveira

MELHOR CANTOR
Giancarlo Vieira (Os Grogs)

ARTISTA DO ANO
Far From Alaska

Jornalista por opção, Pai apaixonado. Adora macarrão com paçoca. Faz um molho de tomate supimpa. No boteco, na praia ou numa casinha de sapê, um Belchior, um McCartney e um reggaezin vão bem. Capricorniano com ascendência no cuscuz. Mergulha de cabeça, mas só depois de conhecer a fundura do lago. [ Ver todos os artigos ]

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