Um a um… ladeira abaixo

Por Eliana Cantanhêde
Folha de São Paulo

Com a renúncia do vice-governador Paulo Octávio, a crise política do Distrito Federal dá mais um passo rumo à intervenção federal. É aquela história: ninguém quer, mas qual a saída? Não há. A intervenção é uma medida drástica, de alto custo político, mas está prevista na Constituição e serve para isso mesmo: emergências.

O governador José Roberto Arruda está preso. O vice Paulo Octávio renuncia. O primeiro presidente da Câmara Legislativa já caiu fora. O que restou é Wilson Lima (PR), nada mais, nada menos do que unha e carne com Joaquim Roriz, a origem de tudo. Mais cedo ou mais tarde, pode apostar que lá vem chumbo e denúncias contra Lima, que só pensa naquilo: mudar com a família para a residência oficial de Águas Claras! Pode?!

O último dos moicanos, ou o derradeiro na linha sucessória, é o presidente do Tribunal de Justiça do DF, Níveo Gonçalves, que já teve a lucidez de dizer, em entrevista ao jornalista Lucas Ferraz, da Folha, que não tem nada a ver com política e não aceita assumir o governo.

Enfim, gente, não sobrou viv’alma para assumir o governo e descascar o abacaxi até as eleições de outubro — quando, aliás, a agonia continua.

Com os quadros da direita na lama e com a esquerda aturdida e frágil, o risco é a roda girar e a capital voltar ao ponto de partida: Roriz, que teve um mandato nomeado e três por eleição e, depois, teve de sair rapidinho do Senado para não ser cassado por desvios e corrupção. Ele é o pai de Arruda, de Paulo Otávio, de Wilson Lima…

Em sendo assim, o Supremo Tribunal Federal vai chegar a março, na hora de votar o pedido de intervenção feito pela Procuradoria Geral da República, com muitos dados gritantes pró-intervenção. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva que se prepare: ela vai acabar tendo de nomear um interventor.

E seja o que Deus quiser!

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