Um ano de protestos, um ano de repressão

Observatório da Imprensa

Há um ano, em 12/6, o presidente iraniano Mahmoud Ahmadinejad era reeleito com 63% dos votos. Há um ano o Irã viu uma das maiores manifestações populares de sua história – comparada à 1979, ano da Revolução Islâmica. Rapidamente, as ruas das principais cidades do país foram se enchendo com cidadãos insatisfeitos com o resultado do pleito e certos da existência de fraude na contagem dos votos.

Juntas, em passeatas, milhares de pessoas gritavam frases como “Onde está o meu voto?” e chamavam o presidente de mentiroso. As autoridades foram rápidas na ação para silenciar os manifestantes. Além da violência usada pelos policiais nas ruas, o governo fez questão de controlar as informações, impedindo a disseminação de fotos e vídeos dos protestos. Correspondentes estrangeiros perderam seus vistos, jornalistas foram proibidos de cobrir as manifestações. Jornais foram fechados e repórteres, presos. Os líderes da oposição não tinham, de um dia para o outro, veículos de comunicação para se expressar. A divulgação dos eventos iranianos acabou nas mãos dos internautas, munidos de telefones celulares com câmeras. E assim foi feita a cobertura.

Números

A onda de repressão durou por meses. Vinte e três jornais foram fechados e milhares de sites foram bloqueados. Mais de 100 jornalistas foram obrigados a sair do país. Pelo menos 170 jornalistas e blogueiros – entre eles 32 mulheres – foram detidos em 2009. Destes, 22 já foram condenados a penas de prisão e outros 85 ainda aguardam julgamento. Hoje, 37 continuam presos, o que torna o Irã uma das quatro maiores prisões do mundo para profissionais de mídia, junto com Eritréia, Cuba e Coréia do Norte. As informações são da organização Repórteres Sem Fronteiras [8/6/10].

Comments

There are 2 comments for this article
  1. Emiliano Vargas 16 de Junho de 2010 17:13

    O Xá Reza Pahlevi era um testa de ferro dos EUA, e comandava sentado em um trono de ouro maciço uma polícia secreta sanguinária que na epóca era tão temida quanto o mossad. Os presos políticos eram milhares, e o Xá massacrava o povo enquanto ele e rainha Farah Dibha, chamavam atenção pela fausto e opulência em que viviam. Veio a revolução Islâmica com centena de milhares de pessoas marchando nas ruas e gritando “morte ao Xá, morte ao Xá”, o exército abria fogo contra a multidão. Até que as forças armadas desertaram e apoiaram Komeini. Depois os EUA inventaram a guerra Irã X Iraque, armando Saddan Hussein para que morressem mais de hum milhão de seres humanos. Então podemos perguntar só Armadinejah é o vilão dessa história ?

  2. Tácito Costa
    Tácito Costa 16 de Junho de 2010 17:39

    Emiliano,
    Não existe mocinho nessa briga no Oriente Médio. Só enxergo vilões. E quase todos já contaram (ou contam) com apoio do vilão-mor, os EUA, ao longo da história. Postamos textos com críticas ao Irã e Israel porque são destaques na mídia internacional – devido a circunstâncias por demais conhecidas. Mas sabemos que Síria, Egito, Arábia Saudita e outros são estados tão tenebrosos quanto aqueles dois mais citados aqui.

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