Um bilhetinho amarrotado no quadro virtual de avisos (para Jarbas Martins)

Querido amigo Jarbas Martins,

Envio este bilhetinho virtual para dizer que, dessa vez, acho que você se equivocou na interpretação e avaliação das palavras alheias. Estou (não muito) surpreso. Mas, achei bom você ter me propiciado oportunidade para dizer umas coisinhas por estas bandas cerebrinas do mundo internáutico.

Jarbas, queira entender – por obséquio – que não ando me queixando mais de nada, nadinha da Silva. Desisti disso já faz algum tempo, porque sei que há coisas inexoráveis nesta cidade – que, se não é uma festa, é uma farra completa, completíssima e ensolarada, regada a cerveja e ovas de Curimatã!

Por tal razão, tenho preferido andar, viver e escrever de bom humor (e com alguma necessária agressividade, sem violência), mesmo que isso venha a parecer soberba. E não é! É, antes, uma maneira de auto-proteção e de defesa contra as línguas bipartidas que existem aqui e alhures. Como sou vítima constante disso, adquiri e passei a usar armas do mesmo calibre. E estou encomendando novas armas, com o calibre, por exemplo, de uma bazuca. É que não posso ficar inerme, você sabe. E olha que estou com uma pontaria…

Se não pode com eles…

O que fiz, Jarbas, foi tão-somente um agradecimento pelas suas palavras elogiosas naquela altura. Somente isso. Nada além disso, sinceramente.
Havia ficado, realmente, lisonjeado com um elogio de quem entende de poesia e de literatura. Mas, você, como alguém que exercita a (boa) interpretação diariamente, entendeu de maneira diferente e ampliou mentalmente (e por escrito) consideravelmente o meu texto. Fez – o que se diria no jargão jurídico – uma interpretação extensiva. Deveras extensiva…

Tenho você como um verdadeiro mestre, mesmo não sendo eu um discípulo à altura (um ex-quase-poeta é como me denomino atualmente. Doravante, meu negócio é a prosa, como essa que levo agora com você, tranquila e desassombradamente, meu agridoce compadre de sombras de algarobas).

Arcebispo ang(l)icano é pouco para definir sua estatura, Jarbas (estive em Londres neste ano que termina e senti sua falta em Westminster). Você é o meu Papa particular! Por tal razão, quero desfazer, de plano, esse seu (nosso) equívoco hermenêutico recente.

Temos que ter cuidado, caro Jarbas, pois hoje se tem uma visão muito difundida de que intelectuais foram feitos não para o entendimento das coisas, mas para o desentendimento entre pessoas; não para a compreensão de tudo, mas para a incompreensão de quase todos…E acho que essa não deveria ser a tônica, ao menos entre nós.

Digo mais: apesar de minhas muitas polêmicas e quizílias (rsrsrs) virtuais, tenho primado – entre vinhos e cafés – por algumas poucas amizades de qualidade do mundo real. Quem dera, se todos soubessem compreender os limites entre um mundo e outro…Oh, mãe, quem dera!!!

Um abração e tome cuidado com as chuvas em Sampa! Se quiser descer um pouquinho no mapa e tomar um voo para Buenos Aires, estarei lá, também com mulher e filhos (a partir do dia 30), flanando pela Livraria El Ateneo e pelo Malba. É que acho os argentinos muito simpáticos. Tão simpáticos quanto os…

p.s. Sim, ia esquecendo: Merry Christmas para todos! (para não confundir com outra festa prolongadíssima que todos nós conhecemos).

Advogado público e escritor/poeta. Membro da Academia Norte-Rio-Grandense de Letras. [ Ver todos os artigos ]

Comentários

Há 2 comentários para esta postagem
  1. Lívio Oliveira 22 de dezembro de 2010 15:16

    Caro Jarbas, foi ele mesmo quem me apresentou a você? Não lembrava. Bom saber, meu agridoce amigo.

  2. Jarbas Martins 22 de dezembro de 2010 14:37

    Caro Lívio, sabe quem me apresentou a você ? Luís Damasceno, minha doce víbora.

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