Um carnaval assustado e algumas simbologias contemporâneas

Começou o ano, enfim. Mas a contemporaneidade espalha sinais mesmo travestido de folia momesca. Na praia refúgio, em Santa Rita, foram dias desertos. A violência afastou veranistas, agora dependentes das diárias cada vez mais altas de empresas de segurança privada. Com isso, casas se deterioram à mercê da maresia e viram patrimônio morto, imprestável, invendável.

Ainda assim investi meu parco dinheiro nessa segurança que nos priva e minha folia se deu junto à família e amigos, com incursões na velha Redinha. O carnaval por lá ainda está animado, mesmo com blocos enfraquecidos e palco montado para Grafith e Cavaleiros do Forró. O bloco d’As Raparigas manteve o ritmo e arrastou boas centenas de foliões. É o que posso dizer.

Terça e quarta me dediquei a livros e filmes. Dos livros, li finalmente Pergunte ao Pó, de John Fante. Ambientado ainda na década de 30, já retrata uma sociedade preconceituosa e um escritor que procura alegrias na imaginação. E também folheei o livro do jovem poeta areiabranquense Leonam Cunha, que escreveu:
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Dos filmes, assisti, enfim, A Teoria de Tudo (2014) e Foxcatcher (2014). Achei dois bons filmes, sobretudo o último. Também a mais confusa cinebiografia que já vi: James Brown (2014), válida somente pela trajetória do personagem, curiosa por si só. E o melhor deles: O Enigma Chinês (2013). Esse filme intriga pela contemporaneidade de imagens e tramas.

O diretor Cédric Klapisch retrata solidões e conflitos de um francês de 40 anos praticamente obrigado a se mudar para Nova York para acompanhar o crescimento dos filhos que moram com sua ex-mulher. Embora flerte com alguns estereótipos novaiorquinos, o longa expõe muito desses dias confusos em que vivemos, repletos de burocracias mesmo para quem vive na simplicidade.

E então misturei tudo: último veraneio em Santa Rita, assustado com a violência, proximidade da minha “crise dos 40 anos” e esses dias doidos. Manchetes falam em morte da web, em mortes por um mosquito mutante ressurgido após 30 anos, em um boy de quatro anos que explodiu carro e matou três na Síria… E bate a frustração de Bowie ter morrido sem responder se há vida em Marte.

Volta, Bowie!

Jornalista por opção, Pai apaixonado. Adora macarrão com paçoca. Faz um molho de tomate supimpa. No boteco, na praia ou numa casinha de sapê, um Belchior, um McCartney e um reggaezin vão bem. Capricorniano com ascendência no cuscuz. Mergulha de cabeça, mas só depois de conhecer a fundura do lago. [ Ver todos os artigos ]

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