Um (e + DOIS): destaques do Prêmio Hangar de Música

Foto: Andressa Vieira

Fazia tempo que eu nutria o desejo de assistir a uma das edições do Prêmio Hangar de Música – evento de importância cultural induvidosa para o nosso RN – capitaneada pelo produtor cultural Marcelo Veni. Quando eu já não tinha mais esperanças, eis que, pela primeira vez, chegou essa oportunidade na semana que passou, com o convite que veio a tempo e modo através das mãos de um muito dileto amigo e parceiro de poesia. Para mim foi importante, não somente pela elevada qualidade dos artistas que ali se apresentaram, mas porque – de certa forma – atualizei-me no que respeita ao cenário da música, a boa música popular produzida no Rio Grande do Norte. E também pela alegria de ver que nem tudo é terra arrasada – em termos de cultura e arte – por estas bandas de cá, desses areais banhados por Atlântico e Potengi e outras muitas águas.

A homenagem principal, muito mais que merecida, foi ao grande músico e poeta Mirabô Dantas, em seus 50 anos de carreira musical. O nome é inquestionável, face à sua longa e densa história no mundo cultural e artístico do nosso RN. Mirabô fez e faz uma bela trajetória e foi bom ver a sua emoção contagiante e que tomava os seus e os nossos olhos marejados e as mãos suavemente trêmulas. Mirabô é um ícone que merece todo nosso respeito e que ainda tem muito a nos dar nessa estrada que se prolonga. E é arte e é vida longa que desejamos a ele. Navegar é, sempre, preciso. Mirabô não nos deixa desacreditar.

Outros importantes nomes circularam pelo palco do Riachuelo naquela noite de segunda-feira, inclusive algumas figuras de porte nacional, como a revelação global Ellen Oléria (que bela voz! Que belíssima voz!) e o já mitificado Pepeu Gomes, que deu um pequeno e agradável show com sua guitarra perfeccionista, tentando ser simpático também com as palavras. Conseguiu, parcialmente.

O objeto deste artigo, no entanto, busca muito mais encontrar nas palavras os dois destaques que (a meu ver e entender, já deixo claro) foram os maiores da noite. Falo do cantor e músico Artur Soares e menciono ainda a banda natalense de rock “Far From Alaska”. Foram eles, em seus distintos estilos, que mais me chamaram atenção naquele histórico evento. E ando entusiasmado mesmo, procurando material dos dois, o cantor/compositor e o grupo, na internet.

Artur é um jovem mossoroense cheio de personalidade, apesar de uma aparente timidez que o fez receber os prêmios com pouquíssimas e hilárias expressões. Não se enganem com essa aparência despretensiosa e relaxada. O rapaz sabe o que quer. Com seu estilo diferenciado e cheio de influências plurais, açambarcou vários prêmios na noite e, certamente, terá uma estrada nacional pela frente. Vai abri-la de qualquer jeito. Não vai haver porta sobre porta a resistir aos seus pontapés certeiros para entrar no “mundão” da música popular brasileira. Escrevam o que digo, pois já está escrito, e não somente por mim.

A banda Far From Alaska é outro nome que merece atenção e destaque por quem gosta de Rock em Natal, no Rio Grande do Norte, no Brasil ou no mundo todo. Um grupo como esse não faz vergonha em lugar nenhum do planeta. Pauleira, no melhor sentido da palavra. Vai longe, também, nessas veredas e caminhos da música.

Pena que o espaço seja curto para expressar as emoções fortes que senti ao observar esse pessoal, Artur e a Far From Alaska, no palco. Mas sei que terei muitas outras oportunidades. Muitas mais. É gente que somente honra a grande arte, que também é nascida (e por que não haveria de ser?) em nosso solo potiguar. Isso aí é música que vai soar longe, muito longe. Dou fé!

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