Um filme difícil

TC

Levei o filme “O espião que sabia demais”, do diretor sueco Tomas Alfredson, para assistir na praia no último final de semana. Fiz referência a isso no post passado, mas deixei para comentá-lo depois. Escolhi-o entre bem uns oito ou nove que ainda não vi porque de todos era o que, supus, se aproximava mais do gosto da minha irmã e eu pensava em fazer uma sessão família, com ela, o marido, os meninos e quem mais estivesse na casa.

O filme, dos que eu tenho em casa e ainda não assisti, pareceu-me o mais adequado para a ocasião. Foi a avaliação que fiz. (Gary Oldman, indicado ao Oscar, em cena de O espião que sabia demais, adaptação cinematográfica do romance homônimo de Le Carré).

Os meninos não apareceram, no que fizeram muito bem, e o casal dormiu depois de algum tempo de filme. Acho que foi porque inventamos de fazer a sessão depois do almoço – rs. Dormiram logo e eu ainda resisti mais um tempo, contudo acabei sucumbindo e deixando pra assistir o resto (uns 30 minutos) depois.

Eu li o livro homônimo, de John Le Carré, há muito tempo, numa coleção lançada pela Abril e vendida nas bancas. Não lembrava mais é nada da história. Recordo agora que li também dessa mesma coleção “O Colecionador”, de John Fowles, e “O Planeta do Sr. Sammler”, de Saul Bellow.”, entre outros – são os que lembro no momento. Devo a essa coleção a descoberta de Bellow, de quem li vários outros livros nos anos seguintes.

Então, mergulhei no filme sem muitas informações, a não ser a sinopse da capa. Gostei muito dos atores e da trilha sonora (foi indicado para o Oscar 2012 nas categorias ator – Gary Oldman -, roteiro adaptado e trilha sonora original, inclusive foram essas indicações que me levaram a adquiri-lo).

Mas a história pareceu-me intrincada demais. Ou então, eu é que estava no espírito do feriado praiano e não consegui dedicar a atenção que um filme de espionagem mais requintado requer.

Pensei até em revê-lo um dia desses, mas com tanto filme que me parecem bons na fila, não sei se terei disposição para tanto.

Depois que acabei esse texto fui no Google atrás de informações do diretor sueco Tomas Alfredson – até então um ilustre desconhecido pra mim – tipo checar que outros filmes ele fez etc e dei com um artigo na FSP, de onde extraí o seguinte trecho: “Que fique tranquilo quem sair do cinema sem entender nada – faz parte da experiência, segundo o diretor sueco Tomas Alfredson. ‘Ouvi tantas interpretações diferentes do final… O público hoje é alimentado de colherzinha pelos diretores, e não quero ter que decidir tudo num filme’, disse o diretor.

Como já suspeitava não assisti a nenhum dos outros filmes do diretor que pesquisei no Google (“Quatro Espectros do Assombro e Deixa ela entrar”), este segundo, informa-me um dos sites que acessei, é sobre vampirismo.

Bem, depois da leitura do trecho que saiu na FSP, minha irmã e o marido estão perdoados, realmente não se trata de filme pra se assistir com barriga cheia ou seca. E eu, mesmo sendo um cinéfilo calejado, mas que se acha burro quando não entende um filme, não estava distraído coisa nenhuma, o filme é que é complicado mesmo – rs

Comentários

Há 3 comentários para esta postagem
  1. Jóis Alberto 13 de abril de 2012 12:54

    Mais difícil do que o tão belo quanto complicado “O ano passado em Marienbad”? Acho difícil esse ou qualquer outro longa-metragem ser mais complexo do que esse grande clássico de Alain Resnais, o mais instigante e desafiador dos filmes que conheço. Só com a ajuda de Deleuze, com seus textos acerca do cinema, das potências do falso, etc, para entender o filme – se isso não significar complicar ainda mais!

  2. Anchieta Rolim 13 de abril de 2012 12:06

    Tácito, valeu a dica, não mais assistirei. rsrs

  3. Alex de Souza 13 de abril de 2012 10:31

    Tácito, ‘Deixe Ela Entrar’ é um dos poucos filmes recentes que consegue abordar o tema do vampirismo sem parecer bobinho demais ou atolado em clichês. Uma fábula sobre a perda da inocência infantil. Recomendo.

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