Um mistério em Clarice

De Alex Medeiros em seu blog http://www.alexmedeiros.com/

“Foi só o jornalista Gustavo de Castro concluir a leitura da biografia de Clarice Lispector, recém lançada por Benjamim Moser pela Cosac & Naify, e comentá-la no site de Tácito Costa www.substantivoplural.com.br, para a polêmica se instalar no Twitter e nos blogues.

O pomo da discussão é por causa de um comentário da escritora, em carta para um amigo, quando se refere a Natal como “cidadezinha sem caráter, nem mesmo o da velhice”. A leitura imediata remete a uma agressão verbal de Lispector contra a capital potiguar. Será?

Não creio que, em 1944, alguém fizesse juízo de valor sem ter tido o tempo suficiente para conhecer a geografia humana da cidade.

Mais fácil levar em conta os fatores de época, como a linguagem coloquial e alguns tropeços bem apropriados ao sotaque de uma mulher ucraniana.

Aqui requer um pouco de confirmação histórica, mas arrisco supor que a terminologia “caráter”, usada naquele contexto, pudesse ter para a honorável turista o sentido de “característica”, como uma ausência de arquitetura própria num lugar de 345 anos.

Portanto, espantos e orgulho ferido a parte, imagino residir neste palpite o mistério de Clarice, ou das palavras de Lispector. Creio ainda que o comentário anterior que ela faz sobre o “horrivelzinho Grande Hotel” (um direito dela), ajudou na interpretação do polêmico trecho.

Deixo o aprofundamento do caso para os historiadores e aqueles que conhecem mais a fundo a essência e a obra de Clarice Lispector.”

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