“Um novo tempo, apesar dos perigos…”

Ontem pela manhã, tão logo foi anunciada a decisão do TJ-RN para que os estudantes desocupassem a Câmara Municipal, começaram as avaliações sobre o #Fora Micarla. Naquele momento prevalecia a impressão de que o movimento chegara ao fim. E pior, sem conseguir seu objetivo. A hora seria, então, de fazer os balanços de praxe.

Um tom de decepção e melancolia percebia-se em certos tweets. Avaliações apressadas e equivocadas, pois levavam em conta que o movimento se esgota na saída, em qualquer circunstância e em qualquer dia, da Câmara Municipal. Genuína ilusão. Alguma coisa de muito importante aconteceu nos últimos dias em Natal e não é preciso nem deixar baixar a famosa poeira para se perceber isso.

Ao invés de enxergar apenas o presente e o óbvio, a disputa judicial atual ou o atendimento das reivindicações dos estudantes, seria mais interessante aprofundar as análises e vislumbrar os desdobramentos futuros que esse inédito processo de mobilização terá no Rio Grande do Norte.

Quando, em post lá atrás, ao escrever sobre os jovens que saíam às ruas contra a prefeita de Natal, fiz referências ao que estava ocorrendo no mundo (do Egito à Espanha) teve quem considerasse exagerada a colocação. Embora estivesse claro que eu buscava, ao invocar o que estava ocorrendo nesses países, chamar atenção para mudanças políticas em curso e que tiveram contribuição decisiva das redes sociais. Não seria ingênuo a ponto de ir além disso (a força das redes sociais), em se tratando de contextos históricos tão diferentes.

Sim. A Internet não é panacéia. E quem não sabe disso?!

Quem está sempre sacando esse mantra do coldre é o pessoal da velha imprensa e conservadores dos mais variados matizes, com a clara intenção de diminuir a importância que a rede pode ter para a democracia, notadamente, para os movimentos sociais, que esse pessoal tem pavor (basta ver a reação ao apoio do MST e que tais aos jovens acampados).

Exemplos de que esse pessoal não está entendendo nada do que está ocorrendo não faltam, é só abrir alguns jornais ou seguir certos blogueiros e tuiteiros. Continuam escrevendo com a cabeça na década pré-internet e democrática no Brasil (claro, os que não estão na folha de salários da prefeitura). Até agora, não foram poucas as tentativas de desqualificar, deslegitimar e criminalizar o #Fora Micarla, retratando os estudantes como um bando de alienados – “rebeldes sem causa” -, e desordeiros.

Felizmente, a hegemonia desses velhos meios não é mais a mesma. E os exemplos que comprovam isso estão por toda parte. Claro, são ainda muito poderosos, mas agora tem o contraponto dos blogs e redes sociais, para desespero dos que estavam por demais acostumados com a comunicação de mão única, a total falta do contraditório.

Nessa nova configuração de forças midiáticas, as redes sociais e a imprensa tradicional travam um tenso diálogo, ora se aliando, ora se enfrentando abertamente. Quem sai ganhando é a Democracia.

T.C

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