Um Paulo Francis é essencial?

Nesta curta semana de férias pude assistir, em DVD, ao documentário “Caro Francis”, de Nelson Hoineff. Foi mais uma dentre as minhas (modéstia à parte) boas escolhas por esses dias.

O documentário, apesar de um pouco parcial em defesa de Paulo Francis, exibe o lado ambíguo e radical daquele jornalista profundamente inteligente que marcou fortes presença e estilo nos telejornais globais e nas redações brasileiras.

Paulo Francis provocava polêmicas de tantas ordens que uma delas praticamente terminou por conduzi-lo à morte (Francis morreu em decorrência de um infarto – apavorado com um processo judicial que lhe movera o presidente da Petrobrás e outros membros da diretoria – quando pensava estar sendo acometido por uma mera bursite).

Francis, apesar de seu lado carrancudo e sério e de seu caráter oscilante, era um homem de extrema sensibilidade artística e adorava ópera (principalmente Wagner). Também sabia todas as marchas carnavalescas importantes e as cantarolava mesmo durante o Manhattan Connection, programa conduzido por Lucas Mendes, onde Paulo fez as denúncias contra a diretoria da estatal brasileira do petróleo e que conduziriam ao processo de indenização em cem milhões de dólares (o foro escolhido havia sido os Estados Unidos).

Não é fácil conviver com pessoas com as características de um Paulo Francis. Isso fica claríssimo. Agora, o que fica evidenciado também é que figuras como ele são essenciais ao grande debate qualitativo e conceitual da sociedade. Ou não?

Advogado público e escritor/poeta. Membro da Academia Norte-Rio-Grandense de Letras. [ Ver todos os artigos ]

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