Um poeta volunté

Foto: Kamilo Marinho

O poeta peripateia nas vielas da urbe natalina que ele conhece com a planta dos pés. Pés para os quais um dia ele comprou um par de sandálias na Bahia e recebeu um embrulho com os mesmos destros e números distintos. Tem sido assim a vida do poeta. Difícil formar um par. E fulano? – Vige. E sicrano ? – Cansei! Assim é assim o poeta canguleiro: reticentioso. A caminho das estrelas de (cadentes) ele faz um poema para Renato Russo – o da colina: “Não tenho mais o tempo que passou nesse século manual”.

Peço para ele autografar o seu livro de “proemas”. Orelha de Angela Almeida. A outra orelha ele cortou sem a minha anuência. Por que Voluntè? Fizeram uma sacanagem comigo. Colocaram uma foto que eu pareço morto. Vivem fazendo sacanagem com Volunté. Eu quero aqui – dizer –, para que acabem de uma vez por toda com essas sacanagens.
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Volunté foi muitas vezes eleito o muso do verão de Natal. Ele lembra desse tempo numa “confissão” Há alguns anos atrás/ achava-me um dândi / hoje sou o começo da metáfora. Mas, o que o poeta é mesmo é um boêmio de uma Natal que não há tal. “às vezes penso que sou um Deus pagão / louco desvairado no açougue das almas ( boêmio p. 26 ).

O livro de Volunté tem mais prefácios que matáforas. Algumas fáceis outras deslumbrantes. Na pagina 19 o poeta começa o seu proemas com o “ Elogio aos Canalhas. “Só os canalhas vivem bem / eles são tantos pelo mundo / … uns são artistas plásticos / agiotas e imperialistas / outros literatos cronistas poetas …”. Mais indireto na testa.

O poeta corrige manualmente as gralhas ou falhas dos homens. Em vez de feridas são feras. Não pode ser fera ferida, Volunté ?. Tu que és tanto ( apaixonados pela MPB). Acabei com tudo / Escapei com vida / Tive as roupas e os sonhos / Rasgados na minha saída… (Fera Ferida – RC ).

Em “madrugada” o poeta implora por uma parceira: Deixa ser teu parceiro de ventura por uma noite madruga / lua estrela por testemunhas. Em vez de madruga é madrugada, mais uma vez o poeta corrige a gralha.

Na despedida da noite quase Natal relembro o autógrafo:

A João da Mata esses proemas, nesse ano de conversa de um passado que ainda toca os corações futuristas.

Um abraço poeta. “Dândis são bacanas” (Adriana Calcanhoto). O musgo Volunté é bacana. Vige! Eu quis dizer muso. Corrija ai poeta com sua máquina Olivetti que você ganhou de presente.

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