Um século e meio das flores do mal

153 anos do livro “Les Fleurs du Mal” As Flores do Mal, de Charles Baudelaire (1821-1867)

Há 153 anos era lançado um livro de poesia que influenciaria toda poesia universal subseqüente. Na primeira edição, em 1857, foram suprimidos seis poemas pelo Tribunal Correcional de Paris. As flores do mal continham 100 poemas e se traduz na busca da musicalidade do poema, na audácia das imagens e num sistema de correspondência que une o grotesco ao sublime, em uma poesia que daria origem à poesia simbolista.

Vários poetas – “ditos malditos”- são conseqüência dessa poesia inovadora e revolucionária. Difícil imaginar Rimbaud, Lautréamont, Verlaine, Mallarmé, sem associar diretamente a Baudelaire e seu livro-fundador da poesia moderna “As flores do mal”. A segunda edição sairia em 1861, acrescido dos “quadros parisienses”.

As flores do mal -Charles Baudelaire
A QUE ESTÁ SEMPRE ALEGRE

Teu ar, teu gesto, tua fronte
São belos qual bela paisagem;
O riso brinca em tua imagem
Qual vento fresco no horizonte.

A mágoa que te roça os passos
Sucumbe à tua mocidade,
À tua flama, à claridade
Dos teus ombros e dos teus braços.

As fulgurantes, vivas cores
De tua vestes indiscretas
Lançam no espírito dos poetas
A imagem de um balé de flores.

Tais vestes loucas são o emblema
De teu espírito travesso;
Ó louca por quem enlouqueço,
Te odeio e te amo, eis meu dilema!

Certa vez, num belo jardim,
Ao arrastar minha atonia,
Senti, como cruel ironia,
O sol erguer-se contra mim;

E humilhado pela beleza
Da primavera ébria de cor,
Ali castiguei numa flor
A insolência da Natureza.

Assim eu quisera uma noite,
Quando a hora da volúpia soa,
Às frondes de tua pessoa
Subir, tendo à mão um açoite,

Punir-te a carne embevecida,
Magoar o teu peito perdoado
E abrir em teu flanco assustado
Uma larga e funda ferida,

E, como êxtase supremo,
Por entre esses lábios frementes,
Mais deslumbrantes, mais ridentes,
Infundir-te, irmã, meu veneno!

Físico, poeta e professor [ Ver todos os artigos ]

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