Um tema (muito) difícil!

Já fui um entusiasta e um militante em prol de uma denominada “literatura potiguar”. Hoje, mais maduro e com mais leitura, estabelecendo uma auto-crítica com matizes individuais e coletivos, tenho me perguntado, de maneira neutra e desassombrada: existe de fato uma Literatura Potiguar?

O fato é que olho todos os dias o setor de minha biblioteca que contém escritores da terra e – sem nenhuma carga de preconceitos – tenho quase sempre optado em retirar da estante os livros que não estão ali, naquele recanto ensolarado e com cheiro de camarão e cerveja. Obviamente, com poucas exceções (pois existem e com louvor), minhas leituras prediletas viajam por outros recantos do Brasil e pelo mundo lá fora.

Vale salientar que nem precisamos citar quem tem qualidade na terrinha. Todos os bons leitores já o sabem. Mas, confirmo que há os que a têm, no passado e no presente.

E aí tenho toda a humildade para reconhecer minhas próprias deficiências e necessidade de maturação. E é por tal razão que estabeleço uma grande pausa (que está somente no início) para o refazimento e colmatação de lacunas atinentes ao aprofundamento da reflexão e da preparação. (Alguns, certamente, vão vibrar em ler isso…). Outros deveriam fazer o mesmo.

Acho que até já andei um bocado. Mas, acredito que falta outro tanto do caminho a ser percorrido. Mas, darei continuidade. Afinal, tenho (acredito) muito tempo e leitura pela frente.

No entanto, as minhas atuais convicções não me retiram a certeza de que é necessário se ter a continuidade da produção no RN, com estímulos à escrita e registro do pensamento, da história, da opinião, da criação literária no nosso Estado. Com muita ou com pouca qualidade. Afinal de contas, todo processo iniciado passa por etapas e fases de amadurecimento.

E aí, a peneira, a seleção, a escolha verdadeira cabe ao leitor, com auxílio de uma espécie de crítica que seja responsável e consistentemente preparada.

Nesse ponto é que vejo o quanto faz falta por estas bandas uma crítica sistemática e isenta, com profundo preparo e desprovida da bílis negra que acomete alguns, que, armados com metralhadoras giratórias, detratam todos e todas.

Alguns dentre os poucos que exercem a crítica por aqui não possuem nenhum pouco de auto-crítica. Preocupam-se mais em difamar pessoas e não em destronar escritores que consideram ilegítimos. Não se debruçam sobre a obra, mas sobre os indivíduos e suas características pessoais, muitas vezes derramando preconceitos e opiniões superficiais e sem isenção, inclusive contrariando suas próprias visões particulares da vida e seus hábitos e costumes nem sempre publicáveis.

E aí é que surge uma outra dúvida, talvez mais fácil de responder: há mesmo crítica literária no Rio Grande do Norte?

Advogado público e escritor/poeta. Membro da Academia Norte-Rio-Grandense de Letras. [ Ver todos os artigos ]

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