Um touro indomável

Esse texto rápido de Monteiro sobre a questão do novo (e – antecipo – louvável e já frutífero) espaço de comentários deste SPlural me fez refletir sobre toda a minha (às vezes dolorosa e conturbada, às vezes recompensada, tranquila e feliz) experiência no uso dos instrumentos da net . E passei a recordar desde os primeiros dias de uso do simples e-mail, passando por orkuts e twitters da vida (dos quais já desisti), até o dia de hoje, ainda postando neste blog (sou um sobrevivente do caos, evidentemente), além do meu humilde “Teorema” e  outros.

Olha, caro Monteiro, acho que você sabe disso, mas não custa relembrar que a gente não tem o mais mínimo controle sobre o que acontece nesse mundo louco virtual. Como não há a visão da face do outro e de suas expressões, a gente nunca sabe o que querem dizer (de fato) algumas enigmáticas palavras (ou abreviaturas e siglas, vejo agora) postadas na net. Não se sabe nem o que significam os silêncios. Podem ser desprezo, inveja, discordância, anuência, regozijo paciente ou mera contemplação calada. Além de tudo, há um voyeurismo semi-patológico de todos e a escolha (às vezes perigosa, às vezes criminosa) do anonimato de alguns.

O título “Plural” que vem, por exemplo, neste blog, significa justamente isso: Plural, plurívoco. E também, muitas vezes, equívoco. Equívoco em nossa interpretação sobre os ditos e sobre os malditos, sobre o pensamento e intenções alheias e até sobre os nossos móveis interiores.

Já postei um dia, Monteiro, pensando numa coisa qualquer, e depois me vieram respostas sobre assuntos absolutamente distintos. Viagem na maionese… E já fiz comentários desinteressados e simplórios que tiveram a maior e mais irracional repercussão. Já escrevi sobre assuntos importantes (como esse último texto sobre “um governo para a cultura”) e não houve sequer uma palavra, mesmo sabendo-se que teremos logo a repercussão, no mundo  cultural desta terra, disso tudo que falei há poucos dias.

Pois é, Monteiro, a internet é o território do caos e de uma certa loucura. De uma certa, não. Da loucura total! (Raulzito, me ajuda!). Aqui tudo pode acontecer. Amigos se transformam em inimigos. Inimigos se transformam em amigos (quer que eu dê alguns exemplos? Dou nada!!!).

Agora, veja só. O seu post provocou uma certa coceira e despertou alguns para a importância da nova forma de comentário. As pessoas já estão utilizando o espaço. Algumas, por timidez de participar do “mainstream”; outras, por considerarem necessária a vinculação do comentário ao texto originário. Outras,…eu acho que sei lá!

O que ocorre, caro Monteiro, no “frigir dos ovos”, é que o espaço virtual é mais real do que se imagina. É um touro que ninguém doma. Mas, temos que fazer os nossos esforços para montá-lo, mesmo na iminência da queda.

Um grande p.n.s.c. para você, Fernando.

Advogado público e escritor/poeta. Membro da Academia Norte-Rio-Grandense de Letras. [ Ver todos os artigos ]

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