Um tweet com mais de 140 caracteres para desdizer aquele outro

Por @jotamombaca_

Vocês do @baixodenatal até querem mudar, mas querem permanecer iguais, pintar a cara de outra cor, vestir uma roupa mais moderninha e manter o corpo dócil… Vem-me falar em fazer um evento trimestral, que piada! Para quem tomar conta do dinheiro? Para quem levar a fama para casa? Para quem deitar e rolar? Daqui a pouco vão lançar a Associação dos Artistas Subversivos, o Sindicato dos Marginais Politicamente Corretos, vão institucionalizar a contracultura… Eles querem uma revolução de boutique por semana! Sérgio Vilar, desde quando os ursinhos carinhosos gritam pela contracultura?

“Vários reclamaram de ter ficado de fora da seleção do Auto de Natal. Então sugeri criarmos o nosso.” Então foi por isso? Titina was right! I was wrong! Me odeio por ter escrito aquelas bobagens, me achei um babaca com a minha fé cega… A faca já estava amolada… Mas a Civone me disse uma coisa bonita: que as idéias todas nascem puras para serem estupradas depois. Eu fiquei na pureza. Logo eu, que sou escroto mesmo, que sou marginal de verdade, que todo mundo na rua olha torto, que sou sujo, dou o cu, não escovo os dentes antes de dormir, fiquei de pau duro lendo Lolita e uso drogas… Fui eu quem foi puro. Eles, que são limpinhos e politicamente corretos, eles de quem Natal se orgulha, the great people of the future, do tipo que omite os pecados, gente civilizada mesmo, foram eles que estupraram sem dó aquela merda de texto que eu escrevi, aquela merda de idéia pura que transformei em texto emocionado. Tão idiota eu fui, tão…

“Um grito da contracultura ‘não rebelde’”, foi o que eu li na matéria do Diário de Natal. Isso é uma agressão à história da contracultura, o Sérgio Vilar limpou a bunda com o livro do Stewart Home, cagou em cima de todo mundo, da Internacional Letrista aos Punks. O @baixodenatal é a futura via única da cidade, isso sim, a Capitania das Artes vai terceirizar a produção cultural e eu vou continuar achando tudo uma porcaria, porque eu não quero entrar no circuito, eu quero mudar o circuito, o circuito precisa ser mudado e o que eu pensei ser a contra-mola está direcionando a gente de novo a favor da maré, pra trás do trio elétrico.

O Circuito Cultural Baixo de Natal tem todo o direito de existir, mas sem essa pinta de contracultura (, por favor), porque isso eu vou rechaçar, essa imagem eu vou denegrir. E querem saber mais? Eu acho uma baixeza da parte de vocês, meus amigos, tentar sustentar essa imagem de marginais politicamente corretos, como quem não trepa nem sai de cima, como quem quer pegar bem para ser bem pago depois. A gente combinou, no começo, que o Baixo ia ser eminentemente artístico e o que eu estou vendo acontecer é pior que política, é politicagem.

Comentários

Há 9 comentários para esta postagem
  1. josie 14 de dezembro de 2010 0:21

    Como já disse Fernando Pessoa…
    “Uns, com os olhos postos no passado,
    Vêem o que não vêem: outros, fitos
    Os mesmos olhos no futuro, vêem
    O que não pode ver-se.”

  2. Gustavo Cavalcanti 13 de dezembro de 2010 19:17

    É uma pena ver que a classe artística organizada,sofre com esses comentários pífios deste cidadão que se auto denomina “marginal”.O rapaz deve ser muito frustrado para perder seu tempo com tanta besteira.

  3. Alexandre Oliveira 13 de dezembro de 2010 17:04

    ..O MOVIMENTO É MASSA..MAS TEM SIM..UM PLAYBOIZADA PUBLICITÁRIA METIDA NA ONDA..

  4. Alex de Souza 13 de dezembro de 2010 15:00

    Taí, gostei desse cara. Só acho que ele tá comprando briga com a pessoa errada. Mas tá apoiadíssimo, Mombaça (quer dizer, se você topar receber apoios).

  5. Sérgio Vilar 13 de dezembro de 2010 12:31

    Eu tava até com saudade de alguém me chamar de Vilão por tão pouco. Assusto-me ainda com a raça humana intolerante, estúpida. Vai ver é esse meu lado anárquico sem rebeldia. Tem gente que confunde contracultura com má-educação.

    Caro Mombaça (sem trocadilhos com seu “nome artístico”; vou fazer isso não, tá?), contracultura, no meu pobre entendimento, passa longe do simples tirar a roupa constantemente em locais públicos e mostrar a genitaliazinha. Isso pra mim é falta de talento de quem quer aparecer. Você concorda? Não? Mostre aí seus argumentos – vestido, por favor!

    Eventos trimestrais… Quantos shows Dylan fez, hein? Será que ele escova os dentes ao dormir? O livro de Stewart Hume foi vendido ou ditribuído no gueto?

    Outra pergunta: a partir de qual premissa, meu caro Mombaça, o senhor afirma com uma certeza desaforada, que uns cinco ou seis comandarão o Baixo de Natal? Da minha matéria? Só porque eles comentaram? Você queria que eu entrevistasse 40 pessoas?

    Mas lhe parabenizo pelo furo de reportagem. Você já noticiou o patrocínio gordo da prefeitura ao evento e quem administrará a grana. Se não é um profeta, você tem grande potencial para o jornalismo.

    e não coloque frase na boca de quem prefere o silêncio. Ninguém bradou contracultura. Eu escrevi isso. Não foram eles. E coloquei exatamente a fatia do abrangente bolo da contracultura que lhes cabe: o da contestação à estética.

    Cara, teu discurso é tão ultrapassado… Acho até que ele vai morrer nesses dias, junto com Fidel.

  6. Anônimo 13 de dezembro de 2010 11:08

    Finalmente, um pouco de lucidez nessa besteira toda!!!!!

  7. Jota Mombaça 13 de dezembro de 2010 9:41

    Mas vejam só: eu mereço mesmo alguém tentando me dizer que o mundo mudou, como se fosse eu que estivesse falando em “contracultura moderna sem rebeldia” e “classe artística”.

    A filosofia política contemporânea, meu amigo, já avançou noções como essa de classe, o Antonio Negri (em Multidão, junto com o Michel Hardt) já descontrói essas noções unificantes, não existe povo, classe, massa nem nada, ele fala da multidão, que é multicolorida, onde todo mundo está junto mas é diferente.
    Uma coisa legal do Baixo foi ter nascido em rede, como um vírus, como uma revolução da contemporaneidade, anárquica e democrática (no sentido puro da palavra democracia), o que acontece é que o movimento sem dono (de que eu tinha falado no primeiro texto) menciona amiúde os cinco ou seis mesmos nomes, criando hierarquias abstratas que – acredite: eu vivi um período e até hoje recebo mil e-mails por dia referentes ao circuito – se efetivam nas práticas do movimento/projeto.
    A contracultura, então, não é cinza, nem amarela, nem cor-de-rosa e a cor do mundo não mudou, amalgamou-se, o mundo é cada vez mais diverso e por isso não tem uma cor só, é como a multidão: multicolorida. Mas uma coisa se manteve na contracultura: a rebeldia, porque a rebeldia não morrerá ainda que o rebelde morra. O que está morta é a causa: qual é a causa principal do Baixo de Natal? O descompromisso dos gestores para conosco? Talvez. Provavelmente a questão da bufunfa. A causa, que era coletiva outrora, a esta altura é individualizante no sentido sujo do termo: se a farinha é pouco meu pirão primeiro. E eu até sou refém do capitalismo – que isso todo mundo é -, eu só não estou caindo de amores pelo meu algoz.
    Veja só: é um movimento de 60 que leva o nome de 5. Quem vai colher os frutos? 60? tsc-tsc E esse papo de que estão fazendo isso pras próximas gerações? pffffffffff. Quando ano que vem a grana pros eventos trimestrais que eles querem fazer aparecer, agora que eles tem um produto forte no mercado local, eu sei que muita gente não vai se dar conta, mas aqueles mesmos nomes de sempre vão estar lá, gerindo tudo, fazendo um trabalho bom (eu não nego), e justificando o fato de terem sido Os Escolhidos pelo tempo de luta ou coisas dessa ordem, olha a hierarquia aí! Antigamente, antes de o sonho vermelho morrer, era assim: a Revolução Cubana, por exemplo: um monte de cabra da peste morrendo pela “causa” e depois, quando a causa foi alcançada, um só assumiu o poder.
    Eu não questiono isso do artista querer ganhar dinheiro, eu quero ser pago direito pelo meu trabalho também, o que eu não vou fazer é criar uma pataquada dessa, com um discurso que não se sustenta, um papo de subversão, de somos marginais, contracultura forever (porque se você não se opõe ao sistema você é o sistema), isso tudo para fazer o pé de meia no próx. ano e quem sabe nos próximos. Que esses cinco ou seis ilustres queiram produzir um festival trimestral, acho um barato, eu quero um festival por semana, mas o que eu não aceito ver é eles se valendo da fé cega de uns e da ignorância de outros (que é o seu caso, perdoe-me a franqueza) para conseguirem que isso cole.

    Agora a resposta à sua pergunta, meu amigo, Sílvio Vilão,
    a contracultura hoje é a que some do mapa, é a cujo resultados não saem no jornal, se diluem nas práticas, a contracultura de hoje quer promover uma pragmática de liberdade, o exercício dela e não a busca por ela, porque a busca é o que nos tem fodido (a novela da globo quer que a gente busque a felicidade e a gente passa a vida deprimido procurando-a). A contracultura é micropolítica, não quer tomar o poder, quer libertar os prisioneiros. Em tempos como este, cumpre pensar: o sonho vermelho morreu, mas o pesadelo continua aí e eu não vou deixar que os capitalistas revolucionários me convençam e vou fazer de tudo para que eles não convençam ninguém.

  8. Sérgio Vilar 13 de dezembro de 2010 7:14

    Mamãe, quanta revolta com a galera, João! Queria só perguntar uma coisa, sem ironia, juro. É coisa de leigo, mesmo: “O que é a contracultura, hoje?”.

    Ademais, queria deixar aqui a única referência que fiz à contracultura no texto (o título não é meu, ressalte-se): “Uma alternativa é pensar o Baixo de Natal como um movimento da contracultura moderna, sem aquela aura rebelde do submundo marginal de guetos e doces poetas malditos. É contracultura porque questiona valores e a estética da cultura vigente. E com bom humor e ironia”.

    Vocês viram aí que foi um comparativo, penso eu, explicativo. Excluo a “aura” rebelde que na minha opinião já passou, está velha, desbotada. Continua, sim, o espírito questionador e a vontade de quebrar estéticas sem esse realismo socialista.

    Não valorizo a estética da fome. Deixa ela com o Glauber ou esses diretores novos e suas estéticas faveladas. Portanto, me posiciono contra a permanência de um movimento terceirizado sem retorno financeiro aos artistas. Mas que tal esperar pra ver qual é?

    Reclamamos tanto da desunião da classe, da falta de mobilização. A própria Micarla já elogiou até com exageros o movimento. Quem sabe não gera resultados até financeiros? E se não, esse povo deixou exemplo, protestou. Ou precisa estar sujo e mal vestido pra protestar?

    Tenha certeza que esse Baixo não pinta de rosa a história da contracultura e nem faz questão de vestir-se de cinza.

    A cor do mundo hoje é outra, João!.

  9. Jota Mombaça 13 de dezembro de 2010 0:02

    Tanta gente bonita nesta fotografia… Tanta gente de que eu gosto…

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