Um western com a marca de Tarantino

Com pequenas variações o script é sempre o mesmo a cada novo filme de Quentin Tarantino. Crítica e espectadores se dividem. Uns gostam, outros detestam. Difícil mesmo é ficar indiferente à obra do diretor americano. Embora não seja aquele fã incondicional, não perco um filme dele. Gosto de ficar por dentro das polêmicas que cercam esses lançamentos. Até mesmo para ter minha própria opinião.

E ontem (12.01) fui assistir “Oito odiados”, em cartaz na cidade. O filme se passa alguns anos depois da Guerra Civil americana. Um grupo de desconhecidos é obrigado a passar a noite em uma estalagem durante uma nevasca. Entre eles, os caçadores de recompensa Marquis Warren (Samuel L. Jackson) e John Ruth (Kurt Russell). Este último transporta uma foragida da justiça, Daisy Domergue (Jennifer Jason Leigh).

Como pano de fundo o racismo, exposto em toda a sua crueza nos diálogos entre o general confederado Sanford Smithers (Bruce Dern) e o major Marquis, que defendeu o Norte na guerra de secessão e anda com uma falsa carta do presidente Abraham Lincoln, a título de salvaguarda. Mas há também discussão sobre o caráter da justiça.

Um faroeste ao estilo Tarantino, quer dizer, com alguns ingredientes já conhecidos e presentes em filmes anteriores do cineasta, principalmente violência (muita), diálogos irônicos, reviravoltas narrativas, humor, referências a outros filmes e uma seleção de ótimos atores. Destaques para a trilha sonora de Ennio Morricone e as atuações de Samuel L. Jackson e Jennifer Jason Leigh.

O filme é longo, quase três horas. Meio arrastado no início. A bela paisagem coberta por neve é um componente de muita beleza durante todo o filme. Vai ganhando ritmo à medida que avança.

Há uma coisa curiosa com a violência exacerbada de “Oito odiados” (também presente em outros filmes do diretor). Em determinados instantes ela passa a ser vista como um elemento cômico. Pude constatar isso pelos risos de alguns espectadores mais próximos. Essa violência, gratuita, meio estilizada, ameniza seus efeitos brutais e sanguinolentos junto ao espectador, o que acaba levando-o ao riso.

Enfim, não é um filme que agrade a todo mundo. E talvez leve o Oscar somente de Trilha Sonora. Ganhou o Globo de Ouro nessa categoria na semana passada.

Não vá assisti-lo com filmes de diretores como Sam Peckinpah, John Ford, George Stevens, Eastwood ou Howard Hawks na cabeça. Tarantino bebeu em todas essas fontes, claro, mas faz um outro tipo de cinema, tarantiniano, seja em qual gênero for.

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