Uma breve história da música potiguar e a razão de um projeto para alavancar a música popular do nosso Elefante

Este estado potiguar é rico de arte e artistas. Sempre foi. Nos anos 1950, como conta o produtor Zé Dias, oferecemos ao Brasil Nubia Lafayette e Elino Julião, Aldair Soares e Severino Ramos, este último o terceiro maior compositor de Jackson do Pandeiro e o homem que, com ‘Ovo de Codorna’, nos anos 1970, tirou Luiz Gonzaga do ostracismo na vendagem de discos. E a presença do mossoroense Oséas Lopes, na direção da gravadora RCA-Victor, também foi fundamental. Oséas, já com o pseudônimo de Carlos André, juntamente com Carlos Alexandre, Bartô Galeno, Fernando Luiz, Gilliard e Gilson Vieira, ajudaram ao que, maldosamente no Brasil rotularam de “Música Brega”.

Também fomos rebeldes com a Jovem Guarda e Leno Azevedo cantou o amor e, anos depois, produziu Raul Seixas, além de um dos dez maiores discos do rock nacional: o Lágrimas Azuis, do grupo potiguar Impacto Cinco. Nos Festivais da Canção, ainda nesta época, fomos representados pelo Trio Maraya, Mirabô, Dailor Varela, Napoleão Paiva, Roberto Lima e Nelson Freire, entre outros. Eles organizaram o movimento que teve em Terezinha de Jesus seu fruto mais concebido e que ganhou o Brasil na leva de artistas nordestinos, uma década depois, juntamente com o Flor de Cactus, que deu frutos de músicos maravilhosos como Joca Costa e Mingo Araujo.

A época “sertaneja” na década de 1990 apagou o talento de uma geração de artistas, como Pedro Mendes, Sueldo Soares, Cleudo Freire, Babal, Galvão Filho, Cida Lobo e Manasses Campos. E aí veio o advento do Projeto Seis e Meia e a música do RN ganhou novo formato, se profissionalizou mais, ganhou excelentes estúdios, grandes projetos e artistas como Khrystal, Rosa de Pedra, Grupo Linha e Lis Rosa, que cantaram na Rede Globo. Outros artistas, como Valeria Oliveira, Camila Masiso, Grupo Macaxeira Jazz e Carlos Zens, percorreram o Brasil e o mundo levando o canto potiguar, em sua rica diversidade.

Caminhos do Elefante
Está na hora de contar esta história e nunca mais corrermos o risco de ouvir que o RN não projetou ninguém na Música Popular brasileira. É com essa ideia que Zé Dias se prepara para estrear o projeto ‘Caminhos do Elefante na MPB’. Estreia em 5 de março e prossegue toda primeira quinta de cada mês, sempre no Teatro de Cultura Popular Chico Daniel (TCP). O ingresso custará R$ 40 (inteira) e R$ 20 (meia). Segundo Zé Dias, esse projeto se incumbirá de contar essa história da MPB potiguar.

Indiscutível a boa proposta e boas intenções. Difícil é vislumbrar o sucesso ou insucesso desse projeto. Tem o lado positivo e, ao mesmo tempo negativo, da independência do poder público. Zé Dias dependerá da bilheteria e, por ventura, algum patrocínio privado para compensar os custos de cachê, pauta do teatro e demais dividendos de produção. A iniciativa privada quer visibilidade. Ou seja: público cheio. O preço do ingresso está apenas razoável, se comparado a outras casas de Natal. Os shows serão numa quinta-feira. O teatro é pequeno…

Lembro do finado projeto Poticanto, encabeçado pelo batalhador Nelson Rebouças. Patinou pelo descompromisso governamental. Ainda assim, já que tinha essa garantia, se sustentou por um bom tempo. Sem essa referência de recursos, dependendo do gosto do público, acho uma incógnita projetar o futuro desse projeto. De cá, terá todo o apoio. É mais um palco para os artistas. Carito e Nathália Santana estão nessa. É outro bom sinal de competência atuando junto a Zé Dias. Vamos torcer!

Vejam aí a programação já definida:

05 de Março – Grupo Linha – Programa Som Brasil em Homenagem ao Samba;
02 de Abril – Khrystal – Programa Som Brasil em homenagem a Alceu Valença;
07 de Maio – Dodora Cardoso Canta Nubia Lafayette;
04 de Junho – As Nordestinas Canta Elino Julião;
02 de Julho – Rosa de Pedra – Programa Som Brasil em Homenagem a Dominguinhos;
06 de Agosto – Isaque Galvão – Programa Idolos;
03 de Setembro –Laryssa Costa Canta Ademilde Fonseca;
01 de Outubro – Tania Soares Canta Hianto de Almeida;
05 de Novembro – Carlos Zens, Programa Sr. Brasil de Rolando Boldrin;
10 de Dezembro – Lis Rosa, Programa Som Brasil em Homenagem as Cantoras do Radio (data para fugir do Carnatal)

Jornalista por opção, Pai apaixonado. Adora macarrão com paçoca. Faz um molho de tomate supimpa. No boteco, na praia ou numa casinha de sapê, um Belchior, um McCartney e um reggaezin vão bem. Capricorniano com ascendência no cuscuz. Mergulha de cabeça, mas só depois de conhecer a fundura do lago. [ Ver todos os artigos ]

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