Uma campanha sórdida

Hoje o meu irmão, Tales Costa, que trabalha na Secretaria de Saúde, em São José de Mipibu, contou-me que uma pessoa distribuiu na calçada da repartição um panfleto intitulado “O Caso de Dilma”.

O panfleto, em folha A4, trazia com destaque a foto de uma mulher, que seria o “caso” da ex-ministra. Depois de “matadora de criancinhas”, de ter desafiado Deus, assaltante de bancos e terrorista, tentam taxá-la de homossexual.

Não tem limites a campanha de calúnias e infâmias patrocinada pela coligação PSDB/DEM. Supera em muito as investidas de Collor contra Lula na campanha de 1990. Seguem ao pé da letra a máxima maquiavélica de que os fins justificam os meios. Alguns analistas já consideram esta a campanha mais sórdida e inescrupulosa desde a redemocratização do país.

Uma campanha que conta com respaldo dos jornais Folha de São Paulo, Estado de São Paulo e da revista Veja. Escancaradamente. Recente pesquisa feita por uma ONG, divulgada no blog Vi o Mundo mostra que cerca de 70% das manchetes desses veículos de comunicação são negativas para a candidata Dilma. O Estado de São Paulo pelo menos já assumiu, em editorial, o apoio a Serra. Os outros se fazem de doidos.

Disse hoje lá no Twitter que Serra não conta mais como o meu respeito. Perdeu-o quando assumiu o discurso e a prática do que há de pior, mais medieval e hodiento na política brasileira. Lastimável que ele tenha jogado na lata do lixo o seu passado de militante de esquerda e líder da UNE.

Mas parece que é recorrente, quando o militante deixa a esquerda se torna um feroz direitista, a história está cheia de exemplos. Carlos Lacerda foi um deles. Serra vai no mesmo caminho. Sem o talento de Lacerda, mas com o mesmo grau de irresponsabilidade e maldade políticas.

Independente de quem vencer, o mal já está feito e a laicidade do estado brasileiro terrivelmente comprometida. Pressionada pelas igrejas, Dilma assinou hoje uma carta (aqui) onde dá satisfações de suas posições sobre temas delicados, como o aborto. Um retrocesso lamentável.

Mas, com Serra será ainda muito pior. Porque além dessa submissão religiosa referida acima (reforçada pela Opus Dei, do governador Alckmin), teremos o fim das políticas sociais (Bolsa Família etc), a criminalização das demandas sociais, o retorno das privatizações e sucateamento da educação, entre outras bandeiras caras aos programas do DEM e PSDB.

É o pior cenário possível para o Brasil. Se você pode fazer algo para impedir isso faça. Se não pode ou não quer não venha reclamar depois. Lembre-se que a fatura será cobrada de todos e omissão não isenta ninguém de responsabilidade. (TC)

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