Uma gota de sangue na Belle Époque

Nem sempre a literatura é um sorriso da Sociedade. Para o escritor Afrânio Peixoto quando a sociedade é feliz, o espírito dessa felicidade se traduz nas artes e na literatura. Na Belle Époque a sociedade chorou muitas vezes. Quando escritor Gilberto Amado assassinou o poeta Annibal Teophillo por este ter feito críticas ao escritor e diplomata autor de “A chave de Salomão” e “Espírito do Nosso Tempo”.

No dia do crime estava acontecendo a “Hora Literária” no Jornal do Commercio com a presença de grandes escritores. Ao cruzar com Teophillo, Gilberto Amado foi acusado de “corno”. Mais uma provocação respondida com uma pistola Mauser.

A sociedade da Belle Époque chorou muito com a morte do escritor Euclides da Cunha pelo amante de sua mulher, Dilermando. Entre cornos e mal-entendidos a morte e o sangue é derramado. A literatura é feita por homens vaidosos ou não, cachaceiros ou não, talentosos e grandes carcaças literárias que enfeitam o silogeu das academias e rodas literárias.

A justiça dos homens muitas vezes falha. O advogado Evaristo de Moraes defendeu os assassinos Dilermando e Gilberto que foram inocentados. Gilberto continuou escrevendo e Dilermando amando a mulher de Euclides.

A sociedade sempre foi preconceituosa e de exceção. Preconceituosa com a poeta Cecília Meireles quando acusada de puta por estar recitando um poema em público. Foi preconceituosa com a aluna da minissaia rosada. Nem sempre a literatura sorri com o sorriso da sociedade. Lima Barreto fez grande literatura em estado de penúria.

O escritor reflete a sociedade de que faz parte. A crítica ou o xingamento é próprio do humano. Na Belle Époque ou nos dias atuais o homem continua o mesmo. Preconceituoso. Com horror ao diferente. E muitas vezes sorrindo e fazendo péssima literatura.

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