Uma pergunta (não tão) besta: “Mito ou realidade?”

Há um livro de Jorge Luis Borges  e que eu adoro. Vez ou outra insisto em consultá-lo, para ver como o que está ali descrito se parece com a realidade cotidiana nua e crua, apesar de se tratar, através daquela deliciosa obra, de seres fantásticos e mitológicos. Chama-se “O Livro dos Seres Imaginários” e foi escrito em parceria com Marguerita Guerrero.

O livro estabelece uma investigação do bizarro, da imaginação mais profunda, do mítico, do místico, do metafísico, como outros da obra de Borges, trazendo, dessa feita, um certo ordenamento e formato quase que de dicionário. Passeia pela mitologia mundial, incluindo pousadas na China, Escandinávia, Índia, Américas…

Tem passagens como esta:

“Os Demônios de Swedenborg

Os demônios de Emanuel Swedenborg (1688-1772) não constituem uma espécie; procedem do gênero humano. São indivíduos que, depois da morte, escolhem o inferno. Não são felizes nessa região de pântanos, de desertos, de selvas, de aldeias arrasadas pelo fogo, de lupanares e de escuros covis, mas no céu seriam mais desgraçados. Por vezes um raio de luz celestial lhes chega do alto; os demônios o sentem como uma queimadura e como um cheiro fétido. Julgam-se formosos, porém muitos têm caras bestiais, ou caras que são meros pedaços de carne, ou não têm cara. Vivem no ódio recíproco e na violência armada; quando se juntam fazem-no para destruir-se ou para destruir alguém. Deus proíbe aos homens e aos anjos traçar um mapa do inferno, mas sabemos que sua forma original é a de um demônio. Os infernos mais sórdidos e atrozes estão no oeste.”

(Jorge Luis Borges, in O Livro dos Seres Imaginários, trad. de Carmen Vera Cirne Lime, Porto Alegre: Globo, 1981, pág. 170).

E tem, também, relatos sobre “Os Pigmeus”, “O Asno de Três Patas”, “O Unicórnio”, “Os Sátiros”, “O Duplo”, “As Ninfas”, “O Dragão”, “O Cervo Celestial” e muitos outros. Depois, trago mais desses textos maravilhosos, se o prezadíssimo “Big Brother” Tácito Costa assim o permitir.

E aí? O que vocês acham? Tem a ver, ou não, com um certo dia a dia ensolarado?

Por sinal, há muito tempo eu sou louco para adquirir um certo livro (que contém ligeiras semelhanças temáticas com o de Borges). Chama-se  “Fauna  Contemporânea” e foi escrito (acho que em 1968) por Esmeraldo Siqueira.

Se alguém tiver o livro e quiser vendê-lo ou trocá-lo, mantenha contato, por obséquio.

É que ando investigando a fundo a nossa mitologia local. Talvez, até, venha a escrever algo a respeito. Talvez, algo que tenha um título como “Fauna Urbana do Século XXI”.

Quem sabe?

Advogado público e escritor/poeta. Membro da Academia Norte-Rio-Grandense de Letras. [ Ver todos os artigos ]

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