Uma vida iluminada no Dia Nacional do Livro Infantil

Quer iluminar sua vida? Vá a uma escola em dia de evento comemorativo. Você vai reconsiderar qualquer pensamento negativo sobre o estado das coisas que vivemos. Também vai repensar suas expectativas sobre o futuro.

A escola é o lugar das mais belas utopias. Um dos ambientes, além do lar, onde se gesta o amanhã.

Fui convidada a participar das celebrações do “Dia Nacional do Livro Infantil” da Escola Municipal Íris de Almeida Matos. A instituição vestiu-se de literatura para promover a ilustre data do calendário brasileiro, que homenageia Monteiro Lobato no dia do seu nascimento.

Localizada no bairro Monte Castelo, em Parnamirim, a Íris de Almeida é pequena e carece de uma quadra de esportes, como pude observar. Estive lá entre as 9h e as 11h da manhã e assisti várias apresentações memoráveis.

O começo já foi um prenuncio de todo o carinho que os convidados ganhariam das crianças. Duas delas receberam-me à porta, perguntando se eu gostaria de ouvir um poema. Respondi, entusiasmada, que sim e fui presenteada com a leitura de um verso de Elias José.

No pátio decorado de histórias, havia Narizinhos, Viscondes, Emílias, tias Nastácias e Monteiro Lobatos.

Também havia algumas mães na plateia e muitas, muitas crianças animadas, aguardando as surpresas que os próprios colegas trariam: leituras compartilhadas, jograis, depoimentos, danças, entrevistas e encenações.

Ao assisti-las, entre emocionada e empolgada, fui tomada pelo encantamento que só a infância é capaz de promover. As carinhas felizes, tímidas, sapecas; as vozes altas ou sussurrantes, mostraram-me a juventude em todo o seu esplendor.


Localizada em Parnamirim, escola Íris de Almeida Matos celebrou o “Dia Nacional do Livro Infantil”. Crédito: Projeto Rio de leitura

Influência para novos leitores

Pude vislumbrar o amanhã que todos queremos: pessoas nutridas em suas carências emocionais, culturais e intelectuais.

Na escola Íris de Almeida Matos, como nos bosques dos Irmãos Grim, fadinhas e pequenos duendes divertiam-se aprendendo. Um dia, eles repassarão para as novas gerações uma visão maravilhosa da vida, eu creio.

Também estavam lá, além das professoras Gracileide e Jacqueline; as coordenadoras Angélica e Araci, do projeto Rio de leitura, veículo de excelência para a promoção da leitura na escola e na comunidade.

Como os prêmios recebidos bem atestam, o projeto tem sido ponte entre palavras e leitores, entre poetas e sonhadores. Por esta ponte, as crianças das escolas municipais de Parnamirim, caminham há oito anos.

Depois das apresentações houve um lanche com os professores. Este é sempre um momento marcante para mim, porque mamãe foi professora durante longos anos.

Ela sempre deu aula nas escolas onde estudei, portanto, ver os mestres, conversar com eles, é sempre um encontro com jeito de recordação.

Reafirmo a mesma impressão a cada vez que converso com eles: a vida é dura porque os salários baixos os obrigam a trabalhar os dois expedientes, muitas vezes em escolas distantes umas das outras.

O trabalho é cansativo e a valorização, muito aquém do que merecem, mas os professores continuam a ser heróis nacionais. É a escola hoje, a maior influenciadora de novos leitores, segundo as pesquisas mais recentes.

Além de cidadãos éticos, a escola tem formado cidadãos literários, o que é ótimo, tendo em vista que as histórias têm poderes e dá poderes a quem delas se apropria.

Ilustração: Diana Reis

Uma vida iluminada pelo faz de conta

Saí da escola cantarolando uma das músicas apresentadas. É “João e Maria”, de Chico Buarque. Passei o dia com a sensação de que a vida é a mais bela de todas as histórias de faz de conta e sou grata a todos os que me deram isso hoje…

Agora eu era o rei
Era o bedel e era também juiz
E pela minha lei
A gente era obrigado a ser feliz
E você era a princesa que eu fiz coroar
E era tão linda de se admirar…

Vem, me dê a mão
A gente agora já não tinha medo
No tempo da maldade acho que a gente nem tinha nascido
Agora era fatal
Que o faz de conta terminasse assim
Pra lá deste quintal
Era uma noite que não tem mais fim…

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