Uma vitória do jornalismo potiguar

Jornalistas potiguares vestidos de preto em luto contra o pior piso salarial do país foi manchete em alguns dos principais portais de notícias do país. A luta inglória rendeu resultado: ontem foi oficializado 12% de aumento, contra os 6% sugeridos anteriormente pelo patronato. Agora, o piso do jornalista potiguar passa para ainda parcos R$ 1.370,00 – similar ao dos garis e ainda menor do que o declamado baixo salário dos professores. Quem já ganha acima do piso, o aumento será de 6,5%. E entre as cláusulas sociais, a conquista foi o aumento de 4 para 5 meses de licença maternidade.

Foi uma conquista. E precisamos de várias até alcançar um patamar digno. O trabalho dessa atual diretoria do Sindicato dos Jornalistas do RN (Sindjorn) tem surpreendido. Participei da gestão anterior, sei das dificuldades financeiras para se conseguir qualquer tipo de mobilização e mais ainda da desunião notória da classe. Por isso deve-se valorizar esse ganho. E que sirva de exemplo, sobretudo, aos universitários. Precisamos de uma nova geração mais combativa. Ninguém sabe ainda qual o futuro do jornalismo frente às novas tecnologias. E a luta pelos direitos é a única garantia.

Valorizar o trabalho jornalístico é apostar na democracia. Informação qualificada e isenta depende disso. Boa parte dos jornalistas hoje depende de mais de um emprego. Geralmente a renda do trabalho em redações é complementada com outro expediente nas assessorias de imprensa, também ligadas à política. E o jornalismo vira comércio de informações. Profissionais com salários valorizados teriam mais independência. Mas infelizmente precisam se sujeitar a essa ingrata dupla jornada. E ainda assistir seu futuro financeiro sumir de quatro em quatro anos. É triste.
Foto: Evaldo Gomes

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