Urubus em obra de arte?

Marcos Silva, no Papo Furado

Fiz curso de Artes visuais na segunda metade dos anos 90. Na época, começaram a processar cadáveres humanos com pigmentos e vernizes, expondo-os como se fossem obras de arte. Considerei aquela prática gratuitamente desrespeitosa e artisticamente inexistente. Grandes artistas – Rembrandt (foto), El Greco, Michelangelo – trabalharam imagens de cadáveres sem que precisassem expor os próprios restos humanos. Tive a impressão de que, em nome de superar a representação, permanecia-se num nível exibicionista ou voyeur do mundo, aquém da arte como interpretação e intervenção. Pensei que a arte era declarada morta por pessoas que não conseguiam fazer arte e a substituíam pelo que já existia. Era uma modalidade soft de necrofilia.

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