Urubus em obra de arte?

Marcos Silva, no Papo Furado

Fiz curso de Artes visuais na segunda metade dos anos 90. Na época, começaram a processar cadáveres humanos com pigmentos e vernizes, expondo-os como se fossem obras de arte. Considerei aquela prática gratuitamente desrespeitosa e artisticamente inexistente. Grandes artistas – Rembrandt (foto), El Greco, Michelangelo – trabalharam imagens de cadáveres sem que precisassem expor os próprios restos humanos. Tive a impressão de que, em nome de superar a representação, permanecia-se num nível exibicionista ou voyeur do mundo, aquém da arte como interpretação e intervenção. Pensei que a arte era declarada morta por pessoas que não conseguiam fazer arte e a substituíam pelo que já existia. Era uma modalidade soft de necrofilia.

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Comentários

Há 2 comentários para esta postagem
  1. Marcos Silva 28 de junho de 2014 10:05

    Magda, eu fiz o elogio de artistas como Michelangelo, Rembrandt e El Greco e lamentei tendências atuais que expõem cadáveres processados como obras de arte. Acho que falamos de coisas diferentes.

  2. Magda Guadalupe 28 de junho de 2014 0:16

    Amigo,
    por favor, não é bem isso.
    Uma boa possibilidade interpretativa de uma obra de arte é o retrato que o artista faz de seu tempo, como ele vê o mundo ao seu redor. A ciência se desenvolve pós Renascimento de forma acelerada e o pintor retrata esse processo, e, junto a ele, vem a simbologia Moderna, como igualdade, universalidade. Veja como todos são iguais, ao próprio pintor, que observa atentamente a si próprio pelo olhar do pintor, assim como observa os aspectos da ciência sem levar em consideração o teor de um humanismo moralista. Temos muito o que ler nas telas de um grande pintor!
    Abraços,

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