Vá baixar noutro terreiro

Ao amigo Tácito Costa

Com essa expressão Câmara Cascudo termina o depoimento dado ao jornalista Jânio Vidal com belas fotos do Argemiro Lima. Artigo publicado em “Cadernos de Comunicação PROAL” de 1977.

No depoimento dado ao Janio, digno de Cascudo, ele fala do jornalismo cultural, do repórter e outros assuntos correlacionados. O jornalismo entre nós é recente e foi inspirado nos jornais franceses “Le Figaro” e “Le Matin”, criadores da fofoca no jornalismo. Nosso primeiro jornal foi “ O Natalense”, de 1832. O jornal era instrumento de disputas políticas. No nosso estado, cobria a disputa entre nortistas (liberais) e sulistas (conservadores).

Em 1954- 55, Cascudo realizou uma pesquisa de como se lia um jornal. É uma ilusão pensar que o leitor vai lendo coluna por coluna (sic). O leitor ler o que interessa.

Aí entra o grande Cascudo repórter:

Eu, por ex (desculpe falar assim), andei uma noite inteira a cavalo acompanhando uma ronda do esquadrão de cavalaria. E publiquei a reportagem com o título “ Ronda da Noite”, que é um quadro de Rembrandt.

Cascudo faz outras reportagens sobre tipos populares, costumes, música do povo, das anedotas. “Ninguém falou de prefeito, governador, roupa de mulher não”. Numa reportagem sobre o Paço da Pátria, Cascudo falou do povo, do samba, o que se comia. O que se dançava: tentando dar uma visão movimentar (sic).

Depois Cascudo comenta da sua famosa coluna Brique-a-Brique que durou vinte anos. Das tentativas de jornalismo cultural e das revistas de cultura: todas falidas no Brasil. Fique triste não, Tácito!

O belo artigo termina com uma declaração com todo o molho da verdadeira verve cascudiana. “Eu vi os jornais começarem, por aqui”. Não havia moleque em Natal com coragem para apregoar os jornais. Tiveram que trazer dois moleques de Recife para apregoarem “A República”.

Acabaram-se os grandes pregoeiros de Natal. Os jornais infelizmente estão em queda livre. As fofocas continuaram. O tempo passou na esquina “e só Carolina não Viu”!

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