Valores virtuais

Quem tem medo da internet? Pelo jeito, muita gente da velha guarda ainda tem. Mas penso bem no que ela nos traz, na maneira como vem cada vez mais atendendo ao que durante muito tempo sonhamos acessar, e lamento que a ênfase seja sempre no festival de boatos e grosserias que somos obrigados a testemunhar ou então no suposto fim dos livros, dos CDs, dos jornais, etc. Se a internet fosse apenas sites de pesquisa e consumo cultural como Amazon, Google e YouTube, já seria admirável. Se fosse apenas um sistema de comunicação, que me permite trocar gratuita e instantaneamente emails ou msns com pessoas em todas as partes do mundo, já seria legal. Se fosse apenas um conjunto de endereços de grandes jornais internacionais que antes só líamos pagando importadoras a peso de ouro, já daria alento.

Ela é, no entanto, mais que isso. É a abertura para vozes antes sufocadas que, do interior do Maranhão ao subúrbio de Bagdá, não tinham como se manifestar. É uma chance de recuperação para um jornalismo autoral, em que as pessoas digam o que pensam sem a pressão corporativista, e para a criação de fóruns de debate. E é um meio de trabalho em equipe com pesquisadores de várias regiões e especialidades, como em tantos sites científicos. Não há uma semana em que eu não descubra um site bacana, como o da British Library ou do Ano Internacional da Astronomia. A maioria dos conteúdos e comentários da rede é de baixa qualidade? Sim. Mas a maioria de qualquer coisa é de baixa qualidade: a maioria dos jornais e livros, a maioria dos filmes e canais, a maioria dos restaurantes e marcas…

Os problemas que existem na internet não são diferentes dos que existem na sociedade. Suas vantagens, porém, são novas.” DANIEL PIZA (http://blog.estadao.com.br/blog/piza/)

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