Vamos ao debate

Trabalhei em três governos na Fundação José Augusto, no de Geraldo Melo, Garibaldi Alves e Wilma de Faria. No primeiro apenas como assessor de imprensa. Nos segundo, como AI e coordenador do Prêmio de Poesia Luís Carlos Guimarães. No terceiro, como assessor de imprensa, coordenador do prêmio e editor da revista Preá.

Então, conheço de perto tanto o que foi feito nos últimos anos na área quanto como funciona a FJA, que não deve ser muito diferente da Funcarte, por exemplo. São instituições burocratizadas, pesadas, que vivem da força que tem o presidente de plantão, da boa vontade do governador e do humor – sempre mau – dos demais secretários para com a cultura.

O grande problema da FJA é viver eternamente de “pires na mão”. O orçamento destinado à instituição dá apenas para pagar pessoal e manutenção. A Lei Câmara Cascudo contempla projetos de grupos e pessoas mais articulados e com conhecimento junto às empresas e pronto.

François tem razão quando cobra uma atitude mais firme do setor e do jornalismo quanto à paralisação dos projetos que vinham sendo realizados. Lembro que ocorreram lamentações pontuais, na imprensa e nos cafés. E ficou nisso. Os amargurados e despeitados de sempre acharam ótimo o Foliaduto, somente assim se parou uma gestão que vinha dando certo.

A constatação de que poderíamos ter sido mais firmes na cobrança à continuidade do trabalho feito por François não invalida a proposta de debate que alguns jovens jornalistas e artistas realizarão hoje na Casa da Ribeira. Uma coisa não tem nada a ver com a outra. A cobrança de François não deve ser respondida por eles, que somente recentemente – e com o idealismo próprio dos jovens – passaram a fazer parte da área cultural.

Apoio e aposto no debate. Pasmem, mas é o primeiro que o setor realiza junto com candidatos aos governo. Ora, se turismo, comércio, indústria, saúde etc fazem porque o setor cultural não pode? E qualquer que seja o resultado já é um marco histórico.

Esse debate, que dialoga com ações como o da revista Catorze e do Núcleo de Jovens Artistas, pode ser um embrião de uma maior organização rumo à cobrança aos dirigentes com relação à cultura. Óbvio, não é panacéia. Mas abre perspectivas que julgo importantes. Pior é não ter nada. Ficar somente nas discussões e fofocas dos bares e cafés.

Somente o fato de o assunto ter suscitado controvérsia aqui já é um bom sinal. Estamos na luta, tentando fazer alguma coisa, se vai dá ou não certo são outros quinhentos. Vamos olhar para o passado, aprender com os erros, fazer autocrítica se for o caso, mas não podemos deixar que esses erros nos paralisem. Vamos pra frente. Vamos ao debate.

PS. Por acreditar no trabalho desses meninos foi que aceitei, sem levar jeito nenhum pra coisa, para ser o mediador do debate. Que Deus me acuda!

Comentários

Há 2 comentários para esta postagem
  1. Pablo Capistrano 8 de setembro de 2010 18:12

    Tácito, você é um mediador nato.
    Esse site é a prova disso.

    • Tácito Costa 8 de setembro de 2010 22:14

      Homi, não dê corda não – rs. Valeu. Abs.

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