Vanguarda e o resto

Caros amigos:

A FSP publicou interessante entrevista com o musicólogo e compositor Flo Menezes, professor da UNESP. Ele manifesta horror em relação à chamada música popular.

A expressão “música popular” abrange muitos gêneros sonoros,. de Gershwin à Eguinha Pocotó, passando por Tom Jobim e Wando. Logicamente, o Professor tem todo o direito de detestar o que quiser. Mas quero lembrar o filme “Morte em Veneza”, de Luchino Visconti, baseado na novela homônima, de Thomas Mann.

No filme, a música tem papel importantíssimo – o personagem Von Aschenbach foi transformado em músico erudito por Visconti. E a seleção musical apresentada é de muito bom nível: Beethoven, Mahler, Strauss… Numa passagem, um grupo de pobres cantores mambembes se apresenta para os ricos hóspedes do luxuoso hotel e são desprezados – a mãe de Tadzio parece sentir nojo deles. Na despedida, cantam uma música que zomba desses presunçosos hóspedes. Parece que Mann e Visconti não detestaram a tal da música popular, viram nela uma sagacidade própria: o saber sobre a morte, que os ricaços fingiam ignorar. Quer dizer: não é o reino da ignorância.

Abraços:

Nasci em Natal (1950). Vivo em São Paulo desde 1970. Estudei História e Artes Visuais. Escrevo sobre História (Imprensa, Artes Visuais, Cinema Literatura, Ensino). Traduzo poemas e letras de canções (do inglês e do francês). Publiquei lvros pelas editoras Brasiliense, Marco Zero, Papirus, Paz e Terra, Perspectiva, EDUFRN e EDUFRJ. Canto música popular. Nado e malho [ Ver todos os artigos ]

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