Várzea do Barro

Curtido em refratário forno
o barro da várzea ganha forma
e brilha em mesas e telhados
deixando pra trás cinzas da lenha.

Enquanto as modelagens do fígulo
passeiam por sobre toalhas distantes
– e cobrem alterosas cumeeiras -,
suas mãos seguem amassando argila
entre fagulhas de calor e a calmaria do lugar.

Várzea do Barro,
encravada no recôncavo do Seridó,
sem alardes, espalha tijolos, telhas e louças…
E a mansidão ali vivida
somente é alterada quando
algum vento tempestuoso e repentino
resolve redemoinhar a poeira,
saudando o oleiro em sua volta à casa.

Escritor e professor universitário. [ Ver todos os artigos ]

Comentários

Há 5 comentários para esta postagem
  1. David Leite 20 de maio de 2014 15:10

    Poeta Webston Moura; agradeço seu gentil comentário…
    Abraços

  2. Webston Moura 19 de maio de 2014 21:40

    Gosto dessas suas memórias, poeta! Há um aroma de sertão na sua palavra. E olha que ela já cruzou o oceano e foi falar de outras terras. Uma poesia simples, não simplória, pois que a sua alma é larga! Abraços!

  3. David de Medeiros Leite 5 de novembro de 2013 10:53

    Lívio e Anchieta, obrigado…
    Abraços
    David

  4. Anchieta Rolim 5 de novembro de 2013 9:30

    David, que beleza de poema. O interessante, é que desde que comecei a fazer uns estudos com argila, tenho lido uns poemas relacionados às artes escultóricas. Primeiro, um belo poema de Lívio ” Os veios da madeira” e agora esse seu. Isso é pura energia positiva no ar…Massa!!!

  5. Lívio Oliveira 5 de novembro de 2013 9:22

    Belo! Belo!

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