Várzeas (poesia experimental)

a)

e de tua pele me farei corpo e do meu corpo espanto e espasmos…
serei palavras monossilabicamente gritadas aos horrores, como no tormento de uma dor imune… serei líquido quando serei homem.
teu corpo é uma duna sobre o meu plano firme…
desfolharei tuas ondas, desnudando-te, como um artesão com o seu barro.
pois se sou as mãos, retiro o que te cobre e te porei nua frente ao mar.

como o vento, cobrirei tuas curvas e finalizarei o barro que te cria… eu te movo com a lentidão da carne e te promovo uivos de assombração;
te faço carne e, como carne, como-te,
como os romanos em suas noites de ceia e festa:

como-te, como se comem as mangas da várzea do Apodi.

Filho de Apodi/RN é Jornalista, assessor de imprensa e eventos do Instituto do Cérebro da UFRN. Membro do coletivo independente Repórter de Rua, articulista no Jornal de Fato (www.defato.com) e organizador da Revista Cruviana (www.revistacruviana.blogspot.com).rinas & Urubus (www.aspirinasurubus.blogspot.com). [ Ver todos os artigos ]

Comentários

Há 13 comentários para esta postagem
  1. Eliana Klas 31 de outubro de 2011 14:53

    Belo. Simplesmente belo.

  2. Aridiana Dantas 21 de outubro de 2011 20:33

    Grandioso poema José de Paiva ! Sinto a riqueza poética, a profundidade das palavras em cada estrofe. Versos perfeitos, parabéns!

  3. Ângela R Gurgel 4 de outubro de 2011 15:45

    Se o experimento sai assim, imagine a obra… Adorei! Abraços P.S: gostoi muuuuuuuuuuuuuuuito de manga, mais ainda de poesia rsss

  4. Tânia Costa 4 de outubro de 2011 12:18

    Amei à primeira leitura!

  5. José de Paiva Rebouças 4 de outubro de 2011 7:27

    Obrigado Jarbas pela deferência e também por desconfiar de mim, aproximando-me de um grande poeta. Foi verdadeiramente um elogio e um reconhecimento de meus escritos.

  6. Regiane de Paiva 3 de outubro de 2011 23:59

    Durante umas leituras, encontrei que Bakhtin valorizava o caráter polifônico revelado nos romances em detrimento da monofonia presente no texto poético. Eu fiquei indignada com isso devido a minha paixão pela poesia, mas depois de ler Crime e Castigo compreendi a sua intenção. No entanto, diante da dimensão estendida nos seus versos (nada experimentais), percebo que a monofonia presente na sua poesia, nada mais é do que uma materialização de um discurso polifônico (multiplicidade de vozes e consciências independentes) condensado magistralmente na voz do (s)eu lírico. “Deixando a profundidade de lado, eu quero é…” Simplesmente encantadora, a sua poesia! Bjs meu querido!

  7. Jarbas Martins 1 de outubro de 2011 15:41

    Um pouco afastado deste SP, não sabia que o poeta ( poeta mesmo !) José Paiva Rebouças era um colaborador deste bravo blog, capitaneado por Tácito Costa, que tem nos dado tantas surpresas- revelando, incentivando e divulgando talentos.Comentei, vejam só, um belo poema de JPR, pensando tratar-se de um pseudônimo de um velho conhecido, um poeta que nunca quis se revelar…Para meu espanto vi, depois, que não era um pseudônimo e que ele já havia aqui postado belos escritos, que os li com muita atenção e renovado encantamento.Parabéns, José de Paiva, venha se unir aqui à luminosa constelação poética do Substantivo Plural. Abração.

  8. Jarbas Martins 30 de setembro de 2011 20:24

    José de Paiva, você é muitos e ninguém.Nem Shakespeare.

  9. José de Paiva 30 de setembro de 2011 17:20

    Jarbas, não teria tanta competência para imitar outro, se não a mim mesmo quando escrevo e experimento. Sou minha própria mimese.

  10. Jarbas Martins 30 de setembro de 2011 14:20

    Jairo fala com conhecimento de causa, Falar nisso, José de Paiva Rebouças, você tem pretensões de ser um heterônimo do grande Jairo Lima ? Leva jeito. Tenta, homem, imitar o nosso Mestre.Talvez consiga.Eu não consigo. Para mim ele é inimitável.

  11. Jairo llima 30 de setembro de 2011 13:00

    Esperimental, uma ova, poema maduro e construído com rigor, conforme se exige dos poetas.

  12. Jarbas Martins 30 de setembro de 2011 10:43

    e viva o grande poeta José de Paiva Rebouças, que pode ser o alter-ego de

  13. Jarbas Martins 30 de setembro de 2011 10:40

    poesia experimentada, curtida, madura.experimentalismo é curtição de jovens.

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